O que é a felicidade

Por Fernanda Sampaio Carneiro

Por um momento, transcendi o peso do corpo. Os raios do sol da manhã foram acendendo célula por célula, como um farol. Fiquei iluminada! Senti que podia correr sem parar durante dias, com uma força sobre- humana, nenhum mal podia ser acessível a mim. Fui apertando o passo e, sem perceber, estava saltitando como menina. Apertei os olhos impregnados de azul e a gargalhada explodiu incontrolável. Abri os braços ao sol e gritei ao céu: “- Obrigada, Senhor!”.

Ano de 2012, em Feira de Santana, depois de cinco anos fora. Saí da casa da minha melhor amiga, que havia me hospedado, e por uns instantes senti a magia de voltar pra casa. E agora, já são quase oito anos. Pensa.

Sinto falta do ar da cidade. Já percebeu que cada uma tem um perfume?

Haverá pessoas para colocar pedras nas suas vontades, porque não são as delas. Existirão muitos desvios, setas erradas, profundezas, para te enviar a caminhos muito mais longos, estratégias de distração, falácias, que te farão chegar a lugar nenhum.

Do cansaço, nascem a consciência e a esperança. O destino é indefectível.

E você, sabe onde está a sua felicidade?

Você sabe qual foi a primeira gramática da língua portuguesa? (PDF grátis!)

Para os amantes “da última flor do Lácio”, deixo aqui o PDF da primeira gramática da língua portuguesa, uma joia escrita há 482 anos por Fernão de Oliveira (1507-1581), nascido em Aveiro, terra dos meus ancestrais. Viveu muito para o padrão da época e ainda mais com uma vida tão aventureira. Sobre o local da sua morte há incertezas. Pode ter sido em Aveiro, Lisboa ou na França.

O aveirense foi “gramático, historiador, cartógrafo, piloto e teórico de guerra e de construção naval”, Fernão foi clérigo, espião, soldado, diplomata, revisor/corretor e professor de retórica na Universidade de Coimbra. Morou na Espanha, Itália, França, Inglaterra e na África. Foi acusado pela Santa Inquisição portuguesa por heresia várias vezes e preso por isso. Uma figura interessantíssima, que teve uma vida agitada e nada convencional. Veja mais detalhes.

E Fernão ainda teve tempo para escrever! Escreveu não só a primeira gramática da nossa língua, Grammatica da lingoagem portuguesa”, também livros náuticos muito importantes.

E já que estamos falando em gramática, quero comentar uma curiosidade: historicamente, o nosso idioma foi classificado em “português antigo” (até o séc. XIV), “português médio” (durante o séc. XV), “português clássico” (meados do séc. XVIII) e “português moderno” do séc. XVIII até hoje. Um aspecto interessante sobre a nossa língua oral é que as vogais no português brasileiro e africano soam muito mais parecidas com o português antigo, médio e clássico, que o português de Portugal. Curioso, não? * 

Eu fiquei emocionada “folheando” a  “Grammatica da lingoagem portuguesa”, dá para entender tudo o que ele escreveu há quase 500 anos, mesmo com muitas direferenças ortográficas. O idioma tinha algumas semelhanças com o espanhol e achei curioso que naquele tempo ele colocou a cedilha no “c” antes de e:

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Quem é professor de português sabe que um erro recorrente é a cedilha antes de “e” e “i”. Tá vendo? Deve ter ficado no DNA… 🙂

Vale muito a pena ter esse exemplar na sua biblioteca virtual pelo imenso valor histórico e o prazer de dar essa volta no tempo. Clica aqui.

*Gramática da língua portuguesa, vários autores, (nove!), da Editora Caminho, Portugal, 2004.