Turismo literário em Madrid com guias brasileiros

O Falando em Literatura agora também oferece guias- turísticos em Madrid. Os passeios literários consistem em visitas às casas- museus de escritores, às bibliotecas e livrarias mais famosas da cidade, Real Academia Española, Casa del Lector, além de cafés literários, feiras de livros (a depender da época), com opção de translado do hotel aos locais dos passeios. Oferecemos várias opções de roteiros pela capital espanhola e em Alcalá de Henares (cidade natal de Cervantes).

Para maiores informações,  entre em contato pelo e-mail: falandoemliteratura@gmail.com

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Precisando de um guia brasileiro em Madri, lembre- se: Falando em Literatura! 🙂

A biblioteca dos Templários, Ponferrada, Espanha

Há lugares no mundo que parecem mágicos, acabados de sair dos livros de contos de fadas ou dos filmes, mas que são reais, eles existem. Um desses lugares é o Castelo dos Templários em Ponferrada, Espanha.

IMG_7109  O castelo é uma fortaleza construída no século XV por D. Pedro Álvarez de Osório, Conde de Lemos. Há um castelo anterior em ruínas, do século XI, no mesmo terreno. A cidade era dominada pela “Ordem do Templo”, quando a Igreja tinha muito, mas muito poder. Ao redor do castelo formou- se uma vila romana.

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Dentro do Castelo há uma biblioteca muito especial com uma exposição chamada “Templum Libri” (“Templo do Livro” em latim) com alguns dos livros mais belos da história, que até pouco tempo estavam ocultos, pertenciam à coleções privadas, estavam em monastérios, universidades e museus. Primeiramente, tais livros só podiam ser apreciados pela igreja e realeza, a nobreza e a burguesia, quem os tinha, detinha o poder, o conhecimento.

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A maioria deles são códices e manuscritos com temáticas religiosas, ciências físicas e humanas, livros impressos ilustrados com grande valor artístico. A exposição é composta por fac-símiles (cópias idênticas às originais, costuma- se fazer quando são livros muito importantes, raros e de valor histórico) de livros, principalmente bíblias, de todo o território europeu.
IMG_7153O térreo da biblioteca:

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A coleção de bíblias é imensa, preciso de um post só para falar delas:

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A paixão pelo livro: o livro como portador de conhecimentos e obra de arte constitui uma das contribuições mais notáveis criadas pelo ser humano, o melhor da nossa herança cultural e intelectual.IMG_7292

Esses fac- símiles colocam diante dos nossos olhos um passado longínquo, que nos faz conhecer mais sobre nós mesmos como humanidade.11873484_504999292988969_4228809097412228199_n“O livro das horas”, de Medici Rothschild. Final do século XV, Inglaterra.IMG_7397

Os Cavaleiros Templários faziam parte de uma ordem militar religiosa medieval muito poderosa. Lutavam para defender e ganhar territórios.

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Libri nostri sunt. (“Os livros são nossos”). Vamos desfrutá- los!


Endereço:

 Avda. del Castillo s/n – 24400 Ponferrada- Espanha

http://www.ponferrada.org

A livraria Lello no Porto, a do “Harry Potter”

Voltando das férias com novidades! Visita a uma das livrarias mais lindas do mundo e outra visita a uma das cafeterias mais lindas do mundo, que têm algo em comum, além da beleza, leia:

A livraria Lello e Irmão (1919), na cidade do Porto, já era muito famosa e ilustre antes de aparecer na saga de J.K. Rowling (a autora fará 50 anos no dia 31), “Harry Potter”. A escritora britânica mudou- se para o Porto em 1991, nove meses depois da morte da sua mãe. Ela não deve ter boas recordações, porque disse que esteve no “fundo do poço”. Casou com um português, o casamento fracassou em menos de um ano. Nem tudo foi ruim já que inspirou- se na cidade para escrever sua obra mais famosa, além de ter tido uma filha; sentada no Café Majestic, Joanne terminou de escrever “A pedra filosofal” durante as manhãs; de tarde/noite, dava aulas de inglês numa escola de idiomas (quem foram seus alunos?). J.K. tem uma filha portuguesa, Jessica Isabel Rowling Arantes, que nasceu em 27 de julho de 1993 (faz aniversário três dias antes de sua mãe), a moça é filha de Jorge Arantes.

Joanne Rowling é formada em Letras com francês, além de saber o nosso idioma. No Natal de 1993 ela já estava em Edimburgo sozinha com sua filha de seis meses. Pensa que a vida dos escritores é uma mar-de- rosas? A literatura a salvou (pelo menos da falta de dinheiro).

Essa semana estive na Lello e no Café Majestic. Veja as fotos:

lello1Estilo neogótico, o edifício foi construído especialmente para ser a livraria do francês Ernesto Chardron, que faleceu aos 45 anos. A livraria passou por outros donos até chegar aos irmãos Lello.

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Eu adoro visitar livrarias com história, que foram frequentadas por escritores importantes e gosto de escolher a dedo os meus livros. Eu tinha em mente uma lista que ficou a ver navios. Fiquei surpresa logo na entrada: um rapaz falando inglês organizando a fila e limitando a entrada das pessoas. Como?! Sim, para entrar na Lello existe fila. O sol estava quente, “mas já que estou aqui”, fiquei. Não demorei muito para entrar, descobri o motivo: as pessoas entram, fazem fotos e vão embora. Ninguém compra nada, elas querem ver apenas o cenário da biblioteca da escola de Hogwarts.

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O calor dentro da loja estava insuportável sem ventiladores nem ar- condicionado e ainda com tanta gente barrando as passagens com câmaras, selfies, caras e bocas. Apenas curiosos incômodos e inconvenientes. Escolher livros?! Impossível. Peguei um rapidamente para ter alguma lembrança desse dia. Frustrada, fui para o caixa vazio, comentei com o rapaz que era impossível escolher livros com tanta gente e tanto calor.

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Há uma cafeteria no 1º andar, mas também estava vazia. Parece que uma das mais famosas e visitadas livrarias do mundo não tem uma vendagem à altura e nem digna de toda a sua história. Qual a solução? “Cobrar entrada”, foi o que pensei. E coincidentemente, vi ontem este artigo que diz que a partir de agosto irão cobrar 3 euros para entrar na livraria e serão descontados se a pessoa comprar algum livro. E os clientes fiéis pagarão 10 euros por ano e terão acesso ilimitado. Acho justo. A Lello também é editora, veja aqui o catálogo. O diretor é José Manuel Lello.

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Pelo valor histórico e artístico, além do seu acervo, que conta com literatura variada, portuguesa e livros em inglês, a Lello merece ser visitada. Mas não seja um turista inconveniente, não atrapalhe e nem interrompa, “pode tirar uma foto?”, as pessoas que estão vendo os livros.

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Fotografando as fotógrafas (quatro!) mirando para o alto:

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E depois de visitar a Lello e sair com um livro debaixo do braço, fui tomar algo no Café Majestic .Veja o livro que eu trouxe da Lello, o segundo do americano Henry Miller (Nova York, 1891), “Trópico de Capricórnio”, de 1939 (o primeiro foi “Trópico de Câncer”, 1934). Eu não tinha nada dele e fiquei curiosa. Miller era um tipo boêmio, parece que horrorizou as pessoas na época por seus livros terem conteúdo sexual, foi proibido em todos os países, exceto na França, onde morava. Será que é para tanto? Depois eu conto.

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O Café Majestic é de 1921, mantém o charme da Belle Époque e fica na zona central do Porto, em um calçadão para pedestres (“peões” em Portugal). O café servido realmente é muito gostoso e o croissant com massa de brioche é delicioso, recomendo!

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O interior, que não é tranquilo, os garçons trabalham em ritmo frenético, está cheio de turistas e suas câmaras, não é um lugar que convida à leitura.

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PS: As fotos foram meio que destruídas com o endereço do site em letras garrafais propositalmente, porque as pessoas copiam e não dão o crédito.

Gastronomia portuguesa: pastéis de nata

Os famosos pastéis de nata portugueses podem ser encontrados nessa tradicional doçaria(PT)/doceria (BR) da foto abaixo, eles que criaram a receita original; fica pertinho do Mosteiro dos Jerónimos:


Quer um pedacinho?! Estavam recém- saídos do forno, quentinhos e deliciosos! Momento de esquecer as calorias e desfrutar!

Se você nao pode vir a Portugal, mas quer provar essa delícia, você pode tentar fazer em casa:

Pastéis de Nata

Ingredientes:
1,3 kg de massa folhada
0,5 l leite m.g.
275 g de açúcar
35 g farinha s/fermento
sal q.b. (pitada)
margarina q.b. (1 noz)
5 gemas
1 ovo


Preparação:
Coloque o leite ao lume com a noz de margarina.
A seco misture a farinha com o açucar e sal e quando o leite levantar fervura adicione a mistura mexendo energicamente.
Retire do lume, deixe arrefecer um pouco e adicione o ovo e as gemas.
Acescente baunilha ou limão a gosto.
Leve a cozer a 290º-300º cerca de 8 minutos.
Nunca deixe mais tempo para que o recheio não saia das formas.

Mosteiro dos Jerónimos

No caminho para o Mosteiro dos Jerónimos, passei por essa espécie de ponte que não é ponte, é o “Aqueduto das Águas Livres”, hoje desativado, construído em 1732 ( ordem do Rei D. João V) para fornecer água para Lisboa. A obra de Manuel da Maia, resistiu ao terremoto de Lisboa de 1755.

Mosteiro dos Jerónimos

Estão sepultados no Mosteiro duas figuras importantíssimas da história e cultura portuguesa: Luís Vaz de Camões, poeta, e Vasco da Gama, navegador da época dos descobrimentos.

Camões é o “santo” dos amantes das letras portuguesas; portanto, como não pedir força, inspiração, sorte e sabedoria estando num lugar desses?! Mas, amigo Camoes…força, inspiração, sorte e sabedoria vá lá! Mas amor…amor…tu já sabes, tu já conheces…

Amor é fogo que arde sem se ver (Camões)

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?