Cinquenta frases literárias

As frases literárias expressam, em poucas palavras, pensamentos e sentimentos universais. Elas ilustram o que precisamos dizer e nem sempre conseguimos com as nossas próprias palavras. Além do mais, são utilizadas em trabalhos escolares, teses de mestrado e doutorado, em prefácios de livros, apresentações em congressos e afins. Portanto, decidi colecioná- las e fazer essa coletânea.

O nosso banco de frases literárias ficará num ícone fixo no alto do blog, sempre disponível, e em constante atualização, já que começa bastante modesto. Todas as quartas- feiras serão acrescentadas frases novas.


 

Frases sobre literatura

  • “O mundo acabará de ferrar- se no dia em que os homens viagem de primeira classe e a literatura no vagão de carga.” (“Cem anos de solidão”, Gabriel García Márquez).
  • “A morte definitiva de um escritor tem lugar quando absolutamente ninguém lê seus livros. Essa é a verdadeira morte.” (José Saramago)
  • “Não se pode ter demasiado cuidado com as palavras, já que mudam de opinião tão rápido quanto as pessoas.” (José Saramago)
  • “Pode ser que a linguagem escolha os escritores que precisa, fazendo uso deles para que cada um expresse uma mínima parte do que realmente é.” (José Saramago)
  • “Quando eu não escrevo, eu estou morta” (Clarice Lispector na sua última entrevista)

Frases sobre a vida

  • “A vida não trata de encontrar- se a si mesmo, senão de criar- se a si mesmo.” (George Bernard Shaw)
  • “Viver não é necessário. Necessário é criar.” (Fernando Pessoa)

Frases sobre o trabalho

  • “Dizem que a sorte surge proporcionalmente ao teu suor. Quanto mais sues, mais sorte terás.” (Ray Kroc)

Frases sobre o amor

  • “Pois haviam vivido juntos o bastante para perceberem que o amor era o amor em qualquer tempo e em qualquer lugar, mas quanto mais denso, mais perto da morte”. ( “O amor em tempos de cólera”, Gabriel García Márquez)
  • “Não havia poder humano capaz de derrotar aquele amor obstinado.” (“Viver para contar- la”, Gabriel García Márquez)
  • “Nunca amamos ninguém. Amamos, tão somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso- em suma, é a nós mesmos- que amamos. Isso é verdade em  toda escala de amor.” (“Livro do desassossego”, Fernando Pessoa)
  • “O amor e o trabalho são os pilares da nossa humanidade.”  (Sigmund Freud)
  • “Nunca estamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos.”  (Sigmund Freud)
  • “A pessoa fica muito louca quando está apaixonada.”  (Sigmund Freud)

Frases sobre a felicidade

  • “Não tem remédio que cure o que não cura a felicidade.” (“Do amor e outros demônios”, Gabriel García Márquez)

Frases sobre sonhos

  • “De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos.” (“Livro do desassossego”, Fernando Pessoa)
  • “O sonho é a liberação do espírito da pressão da natureza externa, um desprendimento da alma das cadeias da matéria.”  (Sigmund Freud)
  • “O sonho não é um fenômeno somático, senão psíquico.”  (Sigmund Freud)

Frases sobre nostalgia

  • A nostalgia, como sempre, havia apagado as más recordações e magnificado os bons.” (Viver para contá- la”, Gabriel García Márquez).

Frases sobre a velhice

  • “O primeiro sintoma de velhice é quando a pessoa começa a parecer- se com seu pai.” (“Memórias de minhas putas tristes”, Gabriel García Márquez)

Frases sobre Deus/Bíblia/religião

  • É inútil que continue rezando. Até Deus sai de férias em agosto. (“Dezessete ingleses envenenados”, Gabriel García Márquez)
  • “As pessoas que honravam a Bíblia eram os falsos profetas. Aqueles que chamamos de profetas eram os que prendiam e mandavam ao deserto.” (Noam Chomsky)
  • A religião é comparável a uma neurose de infância.”  (Sigmund Freud)
  • “Entregue- se  a Deus com todo o coração, que muitas vezes costuma chover suas misericórdias no tempo em que mais estão secas as esperanças.” (Miguel de Cervantes)

Frases sobre moral/ética

  • “A vergonha tem má memória”. (“A hora má”, Gabriel García Márquez).
  • “Podemos escapar de tudo, exceto de nós mesmos.” (José Saramago)
  • “Creia em si, mas não duvide sempre dos outros.” (Machado de Assis)
  • “Ser totalmente honesto consigo mesmo é um bom exercício.” (Sigmund Freud)
  • “De nossas vulnerabilidades vêm as nossas fortalezas.” (Sigmund Freud)
  • “A senda da virtude é muito estreita e o caminho do vício, largo e espaçoso.” (Miguel de Cervantes)

Frases sobre a morte

  • “Não há nada de dramático sobre a morte, exceto que a pessoa perde a vida.” (José Saramago)
  • “A meta da vida é a morte.”  (Sigmund Freud)

Frases sobre família

  • “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” (Machado de Assis)

Frases sobre sorte/destino

  • “O acaso é um Deus e um diabo ao mesmo tempo.” (Machado de Assis)
  • “Não existe nenhum ponto de partida se não se sabe bem aonde ir.” (Sigmund Freud)

Frases sobre a liberdade

  • “A liberdade sem oportunidades é um presente endemoniado e negar- se a dar essas oportunidades é criminoso”. (Noam Chomsky)
  • “A liberdade do indivíduo não é um presente da civilização. Era maior antes de existir qualquer civilização.” (Sigmund Freud)
  • “A maioria das pessoas não quer a liberdade realmente, porque a liberdade implica responsabilidade e a maioria das pessoas teme a responsabilidade.”  (Sigmund Freud)
  • “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” (Clarice Lispector)
  • “A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus.” (Miguel de Cervantes)
  • “Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade.” (“Água viva”, Clarice Lispector)

Frases sobre a palavra

  • “A pessoa é dona do que cala e escrava do que fala.”  (Sigmund Freud)
  • “A palavra é o meu domínio sobre o mundo.” (Clarice Lispector)
  • “É assustador pensar em quantas coisas sao feitas e desfeitas com as palavras; elas têm a sua vida, e nós, a nossa.” (Rainer Maria Rilke)

Frases sobre a verdade

  • “A verdade a cem por cento é tão rara quanto o álcool a cem por cento.”  (Sigmund Freud)
  • “Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada”. (“Água viva”, Clarice Lispector)

Frases (ou parágrafos) sobre a saudade

  • “Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer- se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.” (Clarice Lispector)

Frases sobre a inteligência

  • “Não é o grau que separa a inteligência do gênio, mas a qualidade. O gênio não é tanto uma questão de poder intelectivo, mas da forma por que se apresenta esse poder. Pode- se assim ser facilmente mais inteligente que um gênio.” (“Perto do coração selvagem”, Clarice Lispector)

Frases sobre o tempo

  • “Confia no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.” (Miguel de Cervantes)

Frases sobre a arte

  • “Arte significa nao saber que o mundo já existe, e fazer um.” (Rainer Maria Rilke)

 

 

 

 

 

 

Dez incríveis primeiros parágrafos

Um livro te pega pela capa, pelo título, sinopse, autor ou primeiro parágrafo? Eu escolho pelo autor e primeiro parágrafo.

Selecionei dez primeiros parágrafos de livros que podem agarrar o leitor pela curiosidade que despertam, veja:

1.”Intimidade”, de Hanif Kureish

Essa é a noite mais triste, porque vou embora e não voltarei. Amanhã de manhã, quando a mulher com que vivi durante seis anos tenha ido trabalhar na sua bicicleta e nossos filhos estejam no parque brincando de bola, colocarei umas coisas em uma mala, sairei discretamente de casa, esperando que ninguém me veja, e tomarei o metrô para ir ao apartamento de Victor: ali, durante um período indeterminado, dormirei no chão do pequeno quarto junto à cozinha que amavelmente me ofereceu. Cada manhã arrastarei o fino e estreito colchão até o quarto de despejo.

  • Por que será que ele fugiu?

2. “As intermitências da morte”, José Saramago

No dia seguinte ninguém morreu. O fato, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenômeno semelhante, passar- se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e noturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. (…)

  • A morte que deixa de matar. Por que será que aconteceu isso?!

3. “A confissão”, de Flávio Carneiro

A senhora ouça- me, por favor. Em primeiro lugar, peço desculpas pelo mau jeito. Sei que não foi nada gentil da minha parte interceptar o seu carro àquela hora da madrugada e apontar uma arma à sua cabeça, ordenando, ou pedindo, depende do modo como se vejam as coisas, creio ter- lhe pedido para descer do carro, embora o gesto de lhe apontar a arma possa indicar que era uma ordem, não um pedido, pode ser, não vamos discutir por ninharias, de qualquer maneira reconheço que não fui gentil.

  • Bandido ou polícia?

4. “O jogo do anjo”, de Carlos Ruiz Zafón

Um escritor nunca esquece a primeira vez que aceita umas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez que sente o doce veneno da vaidade no sangue e acredita que, se consegue que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de colocar um teto sobre a sua cabeça, um prato quente ao final do dia e o que mais deseja: seu nome impresso em um miserável pedaço de papel que seguramente viverá mais que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento, porque então já está perdido e sua alma tem um preço.

  • Genial, não?! Esse livro é a segunda parte da saga de “A sombra do vento”. No mês de novembro vai sair na Espanha a quarta parte, “O labirinto dos espíritos”.

5. “Numa e ninfa”, de Lima Barreto (conto)

Na rua não havia quem não apontasse a união daquele casal. Ela não era muito alta, mas tinha uma fronte reta e dominadora, uns olhos de visada segura, rasgando a cabeça, o busto erguido, de forma a possuir não sei que ar de força, de domínio, de orgulho; ele era pequenino, sumido, tinha a barba rala, mas todos lhe conheciam o talento e a ilustração. Deputado há bem duas legislaturas, não fizera em começo grande figura; entretanto, surpreendendo todos, um belo dia fez um ‘brilharete’, um lindo discurso tão bom e sólido que toda a gente ficou admirada de sair dos lábios que até então ali estiveram hermeticamente fechados.

  • Esse primeiro parágrafo eu escolhi, porque Lima contou toda uma história, genialmente descrita, em poucas palavras.

6. “Banguê”, José Lins do Rêgo

Afastara- me uns dez anos de Santa- Rosa. O engenho vinha sendo para mim um campo de recreio nas férias do colégio e da universidade. Fizera- me um homem entre gente estranha, nos exames, nos estudos, em casas de pensão. O Mundo cresceu tanto para mim que Santa- Rosa se reduzira a um grande nada. Vinte e quatro anos, homem, senhor do meu destino, formado em Direito, sem saber fazer nada. Nada de grande tinha aprendido, nenhum entusiasmo trazia dos meus anos de aprendizagem. Agora tudo estava terminado. Um simples ato de fim de ano, e a vida devia tomar outro rumo.

  • É um dos meus livros preferidos da literatura brasileira. O ar melancólico, o romantismo, o amor impossível são os seus principais ingredientes. O primeiro parágrafo dá o tom que acompanha todo o livro. Leia a resenha aqui.

7. “Saber perder”, de David Trueba

O desejo trabalha como o vento. Sem esforço aparente. Se encontra as velas estendidas nos arrastará à velocidade de vertigem. Se as portas e  janelas estiverem fechadas, golpeará durante um tempo em busca das gretas ou fissuras que lhe permitirão filtrarem- se. O desejo associado a um objeto de desejo nos condena a ele. Mas há outra forma de desejo, abstrata, desconcertante, que nos envolve como um estado de ânimo. Anuncia que estamos prontos para o desejo e só nos falta esperar, soltar as velas, que sopre o vento. É o desejo de desejar.

  • Acho genial a analogia que o autor fez sobre o desejo de uma forma poética e certeira. A tradução ao espanhol é minha, se você pegar alguma edição em português, pode ser que esteja diferente.

 8. “O Grande Gatsby”, Francis Scott Fitzgerald

Na minha primeira infância meu pai me deu um conselho que, desde então, não cessou de dar- me voltar pela cabeça.
‘Cada vez que te sintas inclinado a criticar alguém- me disse- tenha presente que nem todo mundo teve as suas vantagens…’

  • Na verdade, são os dois primeiros parágrafos, precisei do segundo para completar o primeiro. Adoro o conselho do pai do personagem, acho que serve pra todo mundo.

9. “O professor”, de Frank McCourt

Já estão chegando.
E eu não estou preparado.
Como iria estar?
Sou um professor novo, e estou aprendendo com a prática.

Os quatro primeiros parágrafos carregados de significados. A falta de preparação e prática nas universidades (do mundo!) fazem com que os recém- formados utilizem, sem querer, os alunos como cobaias, na base do erro e acerto, como se fossem seu laboratório, experimentos científicos. Esse livro (vai ter resenha!) é autobiográfico, o professor americano Frank McCourt conta as suas experiências em mais de 30 anos de profissão.

10. Anna Karenina, Liev Tolstói

familia

Todas as famílias felizes são semelhantes; cada família infeliz é infeliz a seu modo.

Um dos melhores livros de um dos maiores escritores da literatura mundial, “Anna karenina”, começa assim, com essa oração curtinha e uma sentença pra pensar.


Você leria algum desses livros por causa do seu primeiro parágrafo?

A difícil arte de escrever

“Escrever” no sentido literário; escrever uma boa literatura é para poucos. Trechos de livros e pensamentos de autores célebres sobre a difícil arte literária. Alguém se identifica?

1. Machado de Assis na voz de um dos seus personagens em “Iaiá Garcia”: “Uma vez, uma só vez, lembrou- se de escrever um romance, que era nada menos que o seu próprio; ao cabo de algumas páginas, reconheceu que a execução não correspondia ao pensamento, e que saía das efusões não líricas e das proporções de anedota.”

2. Samuel Johnson, poeta inglês: “A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura, para depois escrever; uma pessoa revira metade de uma biblioteca para fazer um só livro.”

3. Lêdo Ivo, “O grande escritor não precisa ser nem muito inteligente nem muito culto. A inteligência e a cultura são contudo indispensáveis nos escritores menores.”

4. Paul Claudel, “Os grandes escritores nunca foram feitos para se submeter à lei dos gramáticos, mas para imporem a sua.”

5. Luis Fernando Veríssimo, “A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro, certo?”

6.  Júlio Dantas, “O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco.”

7.  Goethe, “Escrever é um ócio muito trabalhoso.”

8. Aldous Huxley, “Dá tanto trabalho escrever um livro mau como um bom; ele brota com igual sinceridade da alma do autor.”

9. Antonio Callado, “O escritor está sempre trabalhando em um livro, mesmo quando não está escrevendo.”

10. Sofocleto, “Só se pode julgar um escritor depois de terem morrido todos os críticos da sua época.”