“Consciência corporal”: tecnologias de formação do sujeito em “O Estrangeiro”, de Albert Camus, por Elton Uliana

Albert Camus

 

Durante séculos a pena de morte, muitas vezes acompanhada de refinamentos barbáricos, tenta conter o crime; no entanto, o crime persiste. Por quê? Porque os instintos que estão em guerra no homem não são, como afirma a lei, forças constantes em um estado de equilíbrio.

 (Albert Camus)

 

 

O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, é um romance composto sobre o absurdo e contra o absurdo da sociedade moderna. A narrativa sombria do romance retrata a vida de um jovem “vagando à margem da sociedade, preso em um jogo ambivalente de solidão e sensualidade, inocência e culpa. Através da vida obstinada do narrador Meursault, o romance mostra a inarticulação entre uma consciência individual e o mundo, um impedimento entre um Eu emergente e a sociedade hipócrita e conspiradora que o cerca. À medida que o romance avança, a condição existencial do protagonista se torna gradualmente um estado subjetivo de “ser-Parasi”, que é continuamente ofuscado por um sistema rígido de justiça externo e, ao mesmo tempo, interiormente perplexo pela distorção de tal sistema. Camus permite que o contraste entre o niilismo individual e o absurdo conceitualizado sob aforma de alteridade permeie a narrativa até que, eventualmente, o narrador mata um homem e se torna efetivamente incapaz de elaborar seus sentimentos e de se ver como um criminoso. Fortemente informada pela perspectiva teórica de Camus sobre o Absurdo, a subjetividade do narrador, com sua lucidez (ou falta dela), é menos afiliada à de uma classe ou coletividade do que à psicologia de seu próprio Eu solitário, apóstata e cada vez mais isolado. Nesse contexto, até a questão de agência e de escolha parece gratuita e irracional. Se a rejeição do romance com relação à argumentos fundamentados apresenta problemas genuínos impossíveis de serem reconciliados em termos filosóficos, a estética literária de Camus incorpora em sua própria estrutura todas as ansiedades ontológicas que o texto se propõe a dissipar. Este estudo analisará O Estrangeiro para explorar a atitude paradoxal do romance em relação à percepção, subjetividade e pertencimento social. Argumentarei que a identidade de Meursault resume as antíteses da cultura, da sociedade e do direito, que são algumas das características do pensamento existencialista. Além disso, sugerirei que o quadro narrativo que constrói a identidade de Meursault gesticula ironicamente para seu próprio artifício inevitável: tenta nos convencer de que o pensamento racional é limitado, mas, ao fazê-lo, produz um construto linguístico altamente racionalizado.

A indiferença intratável de Meursault representa um ataque às convenções sociais. Camus elabora um encontro antitético entre o Eu e o Outro, indicando desde o início que os sentimentos de Meursault estão desdenhosamente em oposição ao que, socialmente, se espera dele:

[O] diretor continuou falando, mas eu não prestei muita atenção. Por fim ele disse: Agora suponho que você gostaria de ver sua mãe? Levantei-me sem responder e ele liderou o caminho para a porta.

      (O Estrangeiro, p.11).

 

O romance decididamente propõe uma reversão da ordem social. O narrador neste momento nem chega ao nível em que as responsabilidades éticas e morais são relevantes. Sua atitude moralmente inerte é, em certo sentido, destrutiva da solidariedade humana, mas também é, perversamente, um sinal dela. O absolutismo impessoal da conduta do personagem parodia a impessoalidade total dos laços que nos conectam a humanidade comum, algo que nenhum impulso subjetivo pode deixar de lado. No entanto, essa capacidade de se desvencilhar do conteúdo consciente da percepção é para Camus, e para a maioria dos escritores existencialistas, não uma lógica estranha, mas uma lógica estrutural. A indiferença autônoma e irrefletida de Meursault (‘Mamãe morreu hoje. Ou talvez ontem, eu não sei.’, O Estrangeiro, p. 9) e o comportamento socialmente impeditivo representam não apenas uma personificação do fenômeno da má fé, mas também um radical rejeição da categoria ontológica “ser-Por-outros. Esse estado se manifesta, segundo Jean-Paul Sartre, através de uma preocupação com o que os outros pensam, uma maneira de estar consciente de si mesmo no mundo que geralmente produz e prolifera a vergonha. A ação de Meursault contraria e desafia a suposição de que a consciência individual está unida por compartilhar as mesmas semelhantes tipificações do mundo e suas experiências nele. Da perspectiva freudiana, a cultura normativa reprime o instinto e a liberdade humanas, mas a tendência de Freud era privilegiar a cultura e não a natureza. Ao contrário de Freud, que vê o ser humano vinculado a um sistema de restrições necessárias para a sobrevivência da humanidade na sociedade, mesmo que ele esteja ciente das consequências disso, Camus reinstala empaticamente em O Estrangeiro a dicotomia natureza-cultura. Meursault é ao mesmo tempo restringido por sua própria narrativa e transgressor dela. Da mesma forma que o texto propaga o conceito existencialista de “ser-Parasi com sua negação de convenções sociais, a conexão impessoal do protagonista com o mundo exterior e sua falta de vínculo humano põem em risco a tradição, o comportamento público e o código social.

      Camus exacerba esse dilema hermético, retratando seu herói no modo pré-reflexivo, apegado vigorosamente à ética da autenticidade e sinceridade. Em sua determinação ética, Meursault se recusa a mentir (se não em todos os sentidos, como o texto finalmente revela, pelo menos à seus sentimentos): Respondi que nem mamãe nem eu esperávamos algo mais um do outro, ou de fato de outra pessoa, e que ambos nos acostumamos às nossas novas vidas (O Estrangeiro, p. 85). Mentir, segundo Camus, não é apenas a ficcionalização da verdade; é também, e mais importantemente, uma relação hiperbólica com a realidade, é afirmar mais do que realmente se sente. Em seu estudo da Filosofia do Absurdo de Camus, AviSage observa que, se Meursault é incapaz de mentir, é porque ele representa o paradigma autodeterminado do estrangeiro-absoluto, uma personificação das ideias de inocência e irrepreensibilidade de Camus. A meu ver, essa situação é mais paradoxal: Meursault é tão incapaz de mentir quanto ele é incapaz de dizer a verdade. Suas decisões não se baseiam em uma avaliação ética que favorece a verdade sobre o engano ou a autenticidade sobre a falsidade; em vez disso, elas pertencem ao nível de “percepção corporal”, um estágioem que o personagem está submerso em um lodo de sensualidade, e não na percepção consciente. Ao construir seu personagem dessa maneira, Camus consegue capturar em seu romance algo intrinsecamente humano: o fato de que, no nível primário, somos todos animais instintivos, mas na sociedade humana não podemos levar essa suposição muito literalmente. Como alguns comentaristas sugeriram, o romance desafia irremediavelmente a relação entre a verdade humana e a justiça social. De fato, o discurso novelístico-filosófico de Camus é inscrito pelas próprias racionalidades sociais que ele deseja perturbar e transgredir. Se essa construção do“estrangeiro”, se a concepção de Camus de uma forma aparentemente utópica da existência representa uma elevação de seres individuais além de qualquer razão, ela também funciona, ironicamente, como uma ameaça ao capital, à sociedade e às relações humanas.

A identidade de Meursault no romance, então, é tão manchada quanto é apaziguada pela inadequação de sua consciência social. O herói do romance é uma espécie de comprovação das próprias tentativas filosóficas de Sartre de pacificar o dilema referente à autorealização por meio de papéis sociais e de agentesespontaneamente livres para derrubá-los. Na primeira seção do romance, a presença dos outros (representada pelos personagens secundários) não desempenha um papel significativo na formação da identidade de Meursault. Em certo sentido, essa negação de formas normativas de formação de identidade não significa que o olhar público externo não tenha sentido para Meursault. Em vez disso, ela indica que Meursault é textualmente construído nesta parte do romance, dentro da estrutura ontológica “ser-No-mundo”, privilegiada pela experiência e não pela consciência. Inversamente, uma mudança depercepção é produzida na segunda parte do romance, aumentando a instabilidade semiótica do texto :”Pareceu-me então que eu podia interpretar o olhar nos rostos dos presentes; foi uma simpatia quase respeitosa.” (O Estrangeiro, p.107). A prisão do protagonista o obriga a descobrir o outro e a refletir sobre o absurdo de sua própria existência, que agora não é apenas inflexivelmente “taciturna e retirada” da sociedade (O Estrangeiro, p.66), mas também fisicamente libertada dela. Nesse estágio, é quase como se Camus estivesse criando escrupulosamente em Meursault uma identificação com os outros apenas para que essas figuras externas se tornassem entidades subjetivas ofuscantes. Camus infunde no romance uma estrutura real de desidentificação, uma articulação que faz com que Meursault evite a interação social e se torne amplamente incorporado à textualidade.

      Ao lado de uma crise ontológica, o romance retrata uma trágica oposição entre Meursault e a sociedade. Em outras partes do romance, Camus torna transparente o distanciamento contínuo, curioso e eventualmente fatal na relação de Meursault com seus próprios motivos:

[O promotor] gostaria de saber se eu havia voltado sozinho à primavera com a intenção de matar o árabe. ‘Não, eu disse. “Nesse caso, por que ele estava armado e por que voltar exatamente àquele lugar?”, Eu disse que foi por acaso.

(O Estrangeiro, pág. 85)

 

A relação textual entre as ações aparentemente irracionais de Meursault e seu assassinato não pode ser explicada em termos de causa, efeito ou motivação (eu respondi prontamente que era por causa do sol, O Estrangeiro, p.99). René Girard argumenta que esse relacionamento sinistro é essencial e não acidental. Em certo sentido, a explicação de Girard justifica a controvérsia interpretativa em relação ao comportamento do personagem: um crime comum é geralmente pessoal ou ideologicamente motivado. Em outro, coloca o protagonista no domínio dos heróis trágicos, atribuindo as qualidades do evento às mesmas forças essenciais que presidem os destinos desses personagens. Do mesmo modo que as palavras crimee inocência são irreconciliáveis, o estado generalizado e esteticamente elaborado de “não-existência” de Meursault, embora glorificado energicamente no texto, nunca pode ser reconciliado com a sociedade tecnocrática moderna, como a estratégia de Camus para o desfecgo do romance demonstra: Ele [o juiz] anunciou que eu não tinha lugar na sociedade cujas regras fundamentais eu ignorava (O Estrangeiro, p. 99). O comportamento, assim como as ações de Meursault podem parecer insípidas, mas a narrativa tenta continuamente transmitir que, exatamente por não terem sentido, elas são altamente significativas. Dentro do contexto do Absurdo, a existência é aleatória e a ausência de qualquer causalidade preeminente para infundir significado leva à articulação de uma experiência libidinal imediata e instintiva. O problema é que esse conceito precisa envolver o conceito de ordem social e, de fato, de ideologia. Consequentemente, o ostracismo social de Meursault no romance demonstra-se tragicamente em desacordo com os valores culturais.

O poder transgressor do romance, então, é que ele dramatiza em sua própria estrutura interna um paradoxo crucial: o fato de que o valor colocado na ética mais elevada da justiça surge do fracasso das próprias relações sociais que ela procura presidir. A narrativa de Camus busca maneiras de fugir ou suprimir a objetividade espúria com que as instituições legais envolvem a sociedade e oprimem o indivíduo. Nesse sentido, o romance é um estudo dos resultados e consequências da maquinaria implacável de normas jurídicas, de seus efeitos concretos na sociedade, e não uma investigação do processo institucionalizado pelo qual elas foram e continuam sendo formuladas. Os tratados filosóficos de Camus sugerem que a essência do “absurdo” não está localizada separadamente no indivíduo ou no mundo; é antes um produto da coexistência dos dois. Se a ambivalência e a vulnerabilidade de Meursault representam rebelião; sociedade e justiça representam limitação. O romance representa, assim, um espelho da sociedade em que foi produzido:

Porque, afinal, a sentença que a havia estabelecido era ridiculamente desproporcional com sua persistência inabalável […]. O fato de a sentença ter sido lida às oito em vez das cinco […] todas essas coisas realmente pareciam prejudicar consideravelmente a seriedade de tal decisão.

      (O Estrangeiro, pág. 105)

 

Ao contrastar o funcionamento paródico das instituições sociais com o conceito igualmente absurdo de arbitrariedade, o texto tenta convencer o leitor de que qualquer julgamento de culpa é inevitavelmente errado. De fato, quanto mais o texto tenta normalizar a inadequação das interações de Meursault com o mundo social, mais confirma a inaptidão hipócrita e amoral desse mundo. David Sherman ressalta de forma convincente (apesar de considerar o romance um sucesso estético) que Camus trai o solipsismo de seu próprio trabalho no próprio ato de escrevê-lo. Expandindo o argumento de Sherman, torna-se plausível sugerir que Meursault acaba habitando o mundo do pensamento racional em seu próprio esforço para miná-lo, sendo aprisionado na racionalidade dos preceitos filosóficos do próprio texto.

     O Estrangeiro tipifica, de maneira bastante magnífica, a descrença existencialista em argumentos fundamentados, assim como evidencia a Filosofia do Absurdo de Camus, com seu foco em arbitrariedade, altruísmo e alienação. Argumentei que Camus dramatiza na própria estrutura de O Estrangeiro todas as ambivalências morais, éticas e estéticas de seu próprio pensamento filosófico, mesmo quando ele tenta mediá-las e torná-las acessíveis. Se a fidelidade do protagonista à verdade origina uma autenticidade individual, ela também produz um desengajamento coletivo com a conjuntura social que produz esse personagem. Os preceitos do Absurdo operam continuamente dentro do romance: nem o ambiente social em que Meursault vive, nem o mundo interior de seus pensamentos possuem qualquer organização racional. A estratégia predominante de Camus, na minha opinião, é nos fazer refletir não apenas na ficcionalidade do personagem que dá ao romance  seutítulo, mas também na ilicitude do mecanismo jurídico. O absurdo que está realmente em julgamento no romance não é o do protagonista que, de maneira aparentemente arbitrária, está se submetendo à sua própria percepção primária; mas sim a arbitrariedade dos sistemas social e judicial que preside o destino do personagem.

 

Referências bibliográficas 

 

Bloom, Harold (ed.), Blooms Modern Critical Views: Albert Camus (New York: Chelsea House Publishers, 1989)

Burnier, Michael-Antoine, Sartre and Camus Hoje, trans. intoPortuguese by Bernard Pingaud (Sao Paulo: Editora Documentos, 1986)

Camus, Albert, The Myth of Sisyphus and Other Essays(Chicago: vintage International, 1991)

Camus, Albert, The Outsider, trans. By Joseph Laredo (London: Penguin, 1982)

Craig, Ian, Existentialism and Sociology: A Study of Jean-Paul Sartre (Cambridge: Cambridge University Press, 1996)

Eagleton, Terry, Sweet Violence: The Idea of the Tragic(London: Blackwell, 2002)

Growel, Steven (ed.), Cambridge Companion to Existentialism  (Cambridge: Cambridge University Press, 2012)

Hughes, Edward J., The Cambridge Companion to Camus (Cambridge: Cambridge University Press, 2007)

Jeffrey, Olick, and Daniel Levy, ‘Collective Memory and Cultural Constraint: Existentialist Myth and Rationality in French Literature’, French Literary Review 62, no.6 (1997)

Kermode, Frank (ed.), Fontana Modern Masters: Camus (Glasgow: Fontana/Collins, 1979)

Merleau-Ponty, Maurice, Phenomenology of Perception ( Abgindon: Routledge, 2012)

Petrakis Peter A. and Eubanks Cecil L., ‘Reconstructing the World: Albert Camus and the Symbolization of Experience’, The Journal of Politics, No. 2 (May, 1999)

Podhoritz, Norman,  ‘Camus and His Critics’, The New Criterion (Nov. 1982), [http://www.newcriterion.com/articles.cfm/Camus-and-his-critics-6546]

Sage, Avi, Albert Camus and the Philosophy of the Absurd (Amsterdan: Rodopi, 2002)

Sartre, Jean-Paul, Being and Nothingness: An Essay in Phenomenological Ontology (London: Routledge, 2003)

Sherman, David, Camus (Chichester: Wiley-Blackwell, 2009)


* Elton Uliana é crítico literário e tradutor brasileiro, residente em Londres e afiliado ao Centro de Estudos de Tradução da University College London e à Associação dos Tradutores Britânicos, veja.

 

 

Resenha: O prazer do texto, de Roland Barthes

Texto de prazer: aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, não rompe com ela, está ligado a uma prática confortável de leitura.

Texto de fruição: aquele que coloca em situação de perda, aquele que desconforta (talvez até chegar a um certo aborrecimento), faz vacilar as bases históricas, culturais, psicológicas do leitor, a consistência dos seus gostos, dos seus valores e das suas recordações, faz entrar em crise a sua relação com a linguagem. (Roland Barthes)

Eu nunca vi um livro teórico tão gostoso de se ler. São reflexões e lições sobre leitura e escrita, escritor e leitor. Mostra como ele se comunicava com o leitor para atraí-lo, considerava isto um jogo. Parece que condenava os textos chatos, irrisórios, tagarelas. Textos assim são meio egocêntricos, satisfazem o escritor, mas aborrecem o leitor.

Ele tentou encontrar o ponto exato, o espaço onde acontece o prazer do texto ( o espaço semiológico). Barthes achava que esse lugar ficava entre duas margens: “uma margem obediente, conforme, plagiária (…) o estado canônico da língua e a outra móvel, vazia (…) Estas duas margens encenam, são necessárias.” (p.40)

O prazer do texto, tudo indica, é um espaço subversivo:

O prazer do texto é semelhante a esse instante insustentável, impossível, puramente romanesco, que o libertino aprecia no fim de uma maquinação ousada, ao fazer cortar a corda que o suspende, no momento em que atinge a fruição. (p.40)

A desconstrução do texto, as rupturas, e ainda assim, o texto permanecer legível, talvez seja neste momento que a linguagem converta- se em Arte. Ele cita Flaubert como exemplo. “É um momento muito sutil, quase insustentável, do discurso.” (p.43)

Ele faz uma analogia interessante entre o texto e o erotismo. O ponto mais interessante da sedução não é o corpo descoberto, mas a intermitência, a anterioridade entre a peça de roupa e o corpo. Com a linguagem é igual, a palavra escancarada perde valor. A margem é mais interessante. O suspense narrativo é que mantém a tensão.

Barthes nos ensina a ler mostrando como ele lia um texto literário. O autor não julgava nenhum texto pelo prazer, “isto é bom ou ruim”. Ele preferia, “isto é para mim, isto não é para mim”. Ou seja, há leitores para todo tipo de texto.

E não há hierarquia. Autor e leitor estão no mesmo nível diante do texto:

Na cena do texto não existe ribalta: não há por detrás do texto ninguém ativo (o escritor) nem diante dele ninguém passivo (o leitor); não há um sujeito e um objeto. O texto prescreve as atitudes gramaticais: é o olho indiferenciado que fala um autor excessivo (Angelus Silesius): ‘O olho com que eu vejo Deus é o mesmo olho com que ele me vê.’ (p.52)

“Roland Barthes (Cherbourg 12 de Novembro de 1915 — Paris 26 de Março de 1980) foi um escritor sociólogo crítico literário semiólogo e filósofo francês.|Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris fez parte da escola estruturalista influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique – CNRS.|Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente o primeiro tratava da percepção simples superficial; e o segundo continha as mitologias como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão.” (Edições 70)

O prazer do texto é o momento em que meu corpo vai seguir as suas próprias ideias- pois o meu corpo não tem as mesmas ideias que eu. (p.53)

Paro por aqui, senão vou contar o livro todo e a obra é curta. Vale muito a pena, Barthes era MUITO bom!

A minha edição portuguesa da Edições 70

Quem quiser comprar esta obra em português, pode clicar aqui. A minha edição é mais antiga e está esgotada.

Estamos perto de atingir DOIS MILHÕES de visualizações! Obrigada por participar deste blog literário, um dos mais longevos (senão o mais) escrito em português.

Até a próxima!

Resenha: “Tartufo”, de Molière

Você sabe o motivo da cor amarela ser considerada de má sorte para os atores? Continue lendo para descobrir!

Literatura clássica francesa. Livros seculares como “Tartufo”, do parisino Molière, emocionam- me muito! Uma obra assim você não pode deixar de colocar na sua lista de leituras. Ela representa com perfeição arquétipos sociais, como a hipocrisia, por exemplo. Uma obra aclamada há quase 350 anos, viva e atual.

Molière nasceu Jean- Baptiste Poquelin e foi batizado em 15 de janeiro de 1622, portanto, há 396 anos, um velhinho quase quatrocentão. Não se sabe a data exata do seu nascimento. Era filho de tecelãos, uma família burguesa, que servia a casa real francesa. O autor tinha três formações universitárias: Humanidades, Filosofia e Direito, profissão que exercia, mas não gostava. Abandonou o Direito para dedicar- se ao teatro, sua paixão. Renunciou também o trabalho de tecelão da monarquia que herdaria do seu pai, isso foi em 1643. A família era boêmia, frequentava teatros, inclusive a irmã de Moliére, Magdalene, era atriz famosa. Para ela, usava- se uma expressão “femme d´esprit”, uma mulher inteligente e culta. O sentido original dessa expressão mudou um pouco com o tempo e agregaram ao seu significado a malícia e o humor.

A biografia de Molière, considerado o “pai da comédia francesa”, é muito interessante, mas só vou dar uma pincelada, porque é extensa, recomendo que leiam na íntegra. Nessa edição espanhola (foto), o prólogo é bem interessante, conta toda a cronologia do autor. Ele montou uma companhia de teatro com alguns sócios, foi nessa época que adotou o nome artístico de “Molière”. A companhia foi um fracasso, endividaram- se, não puderam pagar e Molière foi preso.  Depois de solto, saiu de Paris, começou a apresentar- se com a companhia pelo interior da França e deu certo. O dramaturgo tinha muitos inimigos, principalmente atores, desafetos que foi ganhando pela vida. A realeza censurou as suas obras também. Molière teve um filho, Louis, que morreu na infância e teve uma filha, “Esprit Madeleine”, que adulta chamava- se “Madame de Montalant” e um outro menino chamado Pierre. Se eu não contei errado, Moliére encenou vinte e três peças. Ele escrevia e atuava também.

Segundo este prólogo biográfico e crítico, Moliére era um homem sério, calado, triste, feio, baixo, de sobrancelhas e traços grosseiros, e parece que estava acima do peso. Creio que foi uma descrição injusta, o homem não me parece tão pouco agraciado assim, achei até simpático, que você acha?

Doente, perdeu bastante peso e ficou miudinho. Vivia sempre vermelho por causa dos ataques de tosse, tinha tuberculose. Já perto de falecer, também morreram a sua irmã Madeleine e um outro filho, isso prejudicou a sua saúde, dizem. Ele levava suas dores para o palco, sua última obra: “O doente imaginário”. Agora vem a história da cor amarela:

Molière teve uma convulsão em cima do palco, na última cena e vestia amarelo. As pessoas acharam que ele tinha morrido, o que só veio acontecer horas mais tarde na sua casa. E ainda por cima escreveu este epitáfio para o personagem: “Aqui jaz o rei dos atores. Agora se faz de morto e na verdade, o faz muito bem”. Virou lenda. Os sacerdotes recusaram- se a dar- lhe extrema- unção por causa da obra “Tartufo”, principalmente. A Igreja detestava Molière, ele os delatava nas suas obras.

A assinatura de Molière

Então, vamos descobrir o motivo dessa obra ser tão polêmica. “Tartufo” tinha sido censurada durante muito tempo, mas foi autorizada a ser representada pela primeira vez em 5 de fevereiro de 1669 e foi um sucesso absoluto. São doze personagens e a história acontece na casa de Orgón, em Paris:

E Dorine endossa e revela a hipocrisia que acontece no meio social que frequentam (p.101):

– Não será Daphné e o maridinho dela que falam mal de nós? Aqueles cuja conduta mais se presta ao ridículo são sempre os que se metem a falar mal dos outros. Estão sempre prontos a observar o mais leve indício de simpatia para com alguém, espalham a notícia com o maior açodamento, desvirtuando as coisas a seu talante e apresentando-as como querem que sejam vistas. Julgam poder justificar as próprias ações neste mundo, dando às dos outros o colorido que lhes convêm, e procuram inocentar as próprias intrigas com a ilusória esperança de parecerem íntegros; ou então fazer recair alhures algumas migalhas esparsas dessa reprovação pública, que os sobrecarrega em demasia.

Senhora Pernelle, mãe de Orgon
Orgon,marido de Elmire
Elmere, mulher de Orgon
Damis, filho de Orgon
Mariane, filha de Orgon e apaixonada de Valère
Valère, apaixonado de Mariane
Cléante, cunhado de Orgon
Tartufo, falso devoto
Dorine, dama de companhia de Mariane
O senhor Loyal, sargento
Flipote, criada da senhora Pernelle

A senhora Pernelle é uma matriarca déspota, que critica com crueldade toda a sua família. Todos estão alvoroçados, porque receberá a visita de Tartufo, que a mãe idolatra e sua família detesta. A madame reprova várias condutas, até o fato de receberem visitas e a vizinhança comentar, reclamar do barulho e do entra e sai e Cléante rebate (p.101):

(…) – Não há como garantir-se contra calúnia. Não nos preocupemos com os mexericos tolos; esforcemo-nos por viver em completa inocência, dando aos faladores plana liberdade.

Quando algo incomoda demais em alguém, é espelho. A pessoa vê no outro o que tem em si em abundância e o reflexo provoca mal- estar. Disso ao ódio é um pulo. Por isso a Igreja e a Realeza incomodaram- se tanto com Molière? Claro!

O machismo e a inversão de valores também foram assuntos tocados por Moliére. Na cena IV (p.105), acontece um diálogo entre Dorine e Orgón sobre Tartufo e a mulher de Orgón, Elmere, que estava passando muito mal com uma enxaqueca, não dormiu a noite toda, não conseguiu comer e estava sangrando muito. Tartufo, o hóspede deles, jantou um banquete, bebeu vinho, dormiu tranquilamente, e ainda por cima, ELE era o “pobre homem”! O “pobre homem” saiu de manhã para rezar e fortalecer sua alma de bom cristão.

Orgon e Cléante têm falas imensas. Fiquei pensando na memória de elefante que têm que ter os atores que representam esses personagens. Adoraria ver esta obra encenada. Cléante tem uma fala brilhante sobre o verdadeiro e o falso. Claro que a carapuça deve ter caído em muita gente naquela época, e hoje ainda, obviamente. A falsidade. Como saber se uma pessoa está sendo sincera ou simplesmente o seu discurso é manipulado para conseguir certos objetivos? Você consegue perceber?

Tartufo aparece na cena VII declarando- se para a esposa de Orgon, Elmere. E ela surpresa, “tão bom cristão”. Enquanto isso, Orgon estava querendo obrigar a filha a casar- se com Tartufo por dinheiro. E Tartufo culpa a mulher pelo seu desejo de cobiçar a mulher alheia (a partir daqui usei o PDF em português para facilitar as citas):

– Ah! Mas nem por ser devoto eu não sou menos homem; e quando se chega a ver seus celestes atrativos, o coração torna-se escravo e não raciocina mais. Sei que essas palavras parecem estranhas partindo de mim, mas, senhora, apesar de tudo, não sou um anjo; e se condena a confissão que acabo de lhe fazer, deve culpar seus encantos.

Iria ficar tudo em segredo, mas Damis ouviu tudo escondido e depois chega o marido também e o armou- se o barraco. Mas, pensa que Tartufo foi banido da família pela ousadia de assediar a mulher do dono da casa que estava hospedado?! O marido solucionou o problema obrigando Tartufo a casar- se com sua filha. Você acha que Orgon trocaria a posição social de Tartufo por honra e dignidade?!

A história tem reveses. Quem parece que vai ganhar, perde e vice- versa. Um texto bem contruido, amarradíssimo e surpreendente! Muito gostoso de ser lido, recomendadíssimo!

Molière. Tartufo. Catedra. Letras Universales, Madrid, 2010. Páginas: 179

Se quiser ler um PDF em espanhol (grátis!), clica aqui.

Se preferir ler em português, é só clicar aqui (grátis!).

Se quiser ler em inglês, clica aqui.

Boa leitura!

Fotos para ler: o mestre André Kertész

O fotógrafo André Kertész (Budapeste, Hungria, 1894- Nova York, 1985) foi um dos melhores fotógrafos que já existiu. Ele imigrou para Paris e depois para os Estados Unidos na época da grande guerra, ele era judeu.

Serviu, e serve, de inspiração para muitos outros fotógrafos. Separei uma série de fotos, todas de leitores. André os fotografava furtivamente em cenas do cotidiano e também foi pioneiro fazendo selfies. 

andre-5 (1)

andre3

Abaixo, um selfie de André.andre7

img_05

kertesz-on-reading-4

L26kertesz2

man-reading-with-magnifying-glass-new-york-1959

83eeb3b94e0913afeae40bf5149bdad0--august-sander-andre-kertesz

34c1813ef0a46d1352a330820fe36068

116225

É muito reconfortante, aquece o coração, observar que a leitura serviu de companhia para muita gente em situações muito desfavoráveis. E hoje, por mais tecnologia que exista, a melhor companhia continua sendo o livro.

Livros raros (e caros) para presente de Natal

Um presente bastante especial para o Natal que se aproxima, são os livros raros e antigos autografados por algum escritor de renome. Só que essas obras não para qualquer bolso, os preços são bastante elevados.

Por exemplo, “Odas elementales”, de Pablo Neruda, edição limitada de 1954, só saíram duzentas cópias numeradas e assinadas pelo autor, custa R$ 4.942,55 (ou 1.304, euros). Veja:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Outra obra interessantíssima é essa edição do grande Gabo, Gabriel García Márquez, autor do maravilhoso “Cem anos de solidão”. O colombiano faleceu em 2014 e seus livros autografados já valem mais que ouro,  “Diatriba de amor contra un hombre sentado”, de 1994, custa quase seis mil reais! Reparem que Gabo desenhou uma flor junto com a dedicatória, lindo!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Achou caro os dois anteriores? Então, prepare- se para o próximo: edição de 1942 de Jorge Luís Borges, “El jardín de senderos que se bifurcan”, custa quase 15 mil reais!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Os três anteriores foram livros em espanhol, mas na nossa língua encontrei um muito especial, primeira edição de “Rampa” (1930), de Adolpho Rocha, pseudônimo do escritor português Miguel Torga. Essa joia, amigos, só vai levar quem dispuser de R$ 31.634,26!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Agora, um dos livros que mais interessantes e que mais me emocionam, confesso, é esse exemplar do francês Guy de Maupassant. Primeira edição numerada (só 150 exemplares) de “Notre coeur” (“Nosso coração”), de 1890. Ele custa R$ 13.076,54. O livro tem 127 anos e está cheio de anotações do Guy. Não é o máximo?!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Qual é o seu preferido? Aceito qualquer um de presente de Natal, tá? 😀

Você conhece Gertrude Stein?

A escritora Gertrude Stein (Pittsburgh, 03/02/1874- Paris, 27/07/1946) poeta, biógrafa e romancista, era amiga pessoal de vários escritores e pintores, inclusive Picasso, Matisse, Hemingway e Joyce, por exemplo. A biografia dela é muito interessante, merece um post exclusivo, que espero fazer em breve.

56-284966-5225360456-769966a61b-oGertrude e o seu retrato feito por Picasso (1906).

A autora ficou popularmente conhecida depois do filme de Woody Allen, “Midnight in Paris”, ela é uma das personagens.

O tradutor brasileiro, Elton Uliana, mestrando em Tradução na University College em Londres, gentilmente nos enviou a tradução de “Tender Buttons” (1914). Ele teve a máxima atenção com os detalhes, não quis modificar nem uma vírgula do texto original.

“Botões ternos” é a primeira obra de Stein publicada em inglês, onde ela transportou à arte verbal a sua experiência com as obras de arte tão presentes em sua vida. É uma experiência semiótica interessante, que inovou e abriu caminhos. A linguagem pode ter infinitas possibilidades, experimentar e criar coisas novas é preciso. A linguagem é tão plástica quanto uma obra de arte.

O conto de Gertrude Stein é uma viagem literária muito interessante. Veja a tradução de Elton Uliana (obrigada!):


BOTÕES TERNOS

Objetos · Comida · Quartos

Gertrude Stein

UMA GARRAFA, OU SEJA, UM VIDRO CEGO.

Um tipo de vidro e um primo, um espetáculo e nada de estranho uma única cor ferida e um arranjo em um sistema para apontar. Tudo isso e  não ordinário, não desordenado em não se assemelhar. A diferença está se espalhando.

BRILHO VITRIFICADO.

Níquel, o que é o níquel, é originalmente livre de uma tampa.

A mudança nisto é que o vermelho enfraquece a hora. A mudança chegou. Não há procura. Mas há, há aquela esperança e aquela interpretação e, por vezes, com certeza qualquer uma é indesejável, em algum momento há respiração e haverá uma sinecura e um encanto muito encanto é limpo isto e purificador? Certamente o cintilante é bonito e convincente.

Não há gratidão em misericórdia e na medicina. Pode haver quebras em japonês. Isso não é programa. Isso não é cor escolhida. Foi escolhida ontem, que mostrou cuspir e talvez lavar e polimento. Certamente não mostrou nenhuma obrigação e, talvez, se empréstimo não é natural há alguma utilidade em dar.

UMA SUBSTÂNCIA NUMA ALMOFADA.

A mudança de cor é provável e uma diferença uma muito pequena diferença é preparada. Açúcar não é um vegetal.

Insensível é algo que endurece as folhas por trás do que vai ser suave se houver um interesse genuíno em que estejam presentes tantas mulheres quanto homens. Faz isto alguma alteração. Isto mostra que a sujeira é limpa quando existe um volume.

Uma almofada tem esta capa. Suponha que você não gosta de mudar, suponha que é muito limpo que não haja nenhuma mudança na aparência, suponha que não há regularidade e roupa isto é pior que uma ostra e uma permuta. Chega a estação em que há qualquer uso extremo em penas e algodão. Não há muito mais alegria em uma mesa e mais cadeiras e muito provavelmente redondeza e um lugar para colocá-las.

Um círculo de fina cartolina e uma oportunidade para ver um pingente.

Qual é o uso de um tipo violento de deleite se não há prazer em não ficar cansado disso. A questão não vem antes que haja uma cotação. Em qualquer tipo de lugar há uma tampa para a cobertura e é um prazer de qualquer modo há alguma aventura em se recusar a acreditar em absurdo. Isto mostra que utilidade há em uma peça inteira se alguém usá-la e é extrema e muito provavelmente as pequenas coisas podem ser mais queridas mas em qualquer coisa há uma barganha e se há a melhor coisa a fazer é levá-la para longe e usá-la e depois ser imprudente ser imprudente e resolvida em retornar a gratidão.

Azul claro e o mesmo vermelho com roxo faz uma mudança. Isso mostra que não há erro. Qualquer rosa mostra isto e muito provavelmente isto é razoável. Muito provavelmente não deve haver um  presente sedutor mais fino. Algum aumento significa uma calamidade e esta é a melhor preparação para três e mais estarem juntos. Um pouco de calma é tão comum e em qualquer caso há doçura e um pouco daquilo.

Um selo e fósforos e um cisne e uma hera e um terno.

Um armário, um armário não se conecta debaixo da cama. A banda se é branca e preta, a banda tem uma corda verde. Uma visão uma visão total e um pequeno gemido rosnando faz de um corte um canto tão docemente triturado e uma coisa vermelha não uma coisa redonda, mas uma coisa branca, uma coisa vermelha e uma coisa branca.

A desgraça não está na falta de cuidado, nem mesmo na costura ela sai para fora do caminho.

Como é a faixa da cintura. A faixa não é como qualquer coisa mostarda não é como a mesma coisa que tem listras, não é nem mais doída que isto, ela tem uma parte superior.

UMA CAIXA.

Da bondade vem vermelhidão e da grosseria vem rápida a mesma pergunta, de um olho vem pesquisa, da seleção vem gado doloroso. Então a ordem é que uma forma branca de ser redonda é algo que sugere um alfinete e é decepcionante, não é, é tão rudimentar ser analisado e ver uma substância fina estranhamente, é tão sério ter um verde apontando não para o vermelho mas para apontar novamente.

UM APARELHO DE CAFÉ.

Mais que duplo.

Um lugar em nenhuma mesa nova.

Uma única imagem não é esplendor. O sujo é amarelo. Um sinal de mais em não mencionar. Um aparelho de café não é um detentor. A semelhança com o amarelo é mais suja e mais distinta. A mistura limpa é mais branca e não cor de carvão, não mais cor de carvão do que completamente.

A visão de um motivo, a mesma visão mais ligeira, a visão de uma resposta negativa mais simples, a mesma sirene dolorida, a intenção de desejo, o mesmo esplendor, o mesmo mobiliário.

O tempo para mostrar quando uma mensagem é tarde demais e mais tarde não há nada de se pendurar em ruínas.

Uma cor rosa-madeira não rasgada. Se não é perigoso então um prazer e mais do que qualquer coisa se é barato não é mais barato. O lado engraçado é que quanto mais cedo houver menos mais certo é a decaída da necessidade. Supondo que o caso continha rosa-madeira e uma cor. Supondo que não houve nenhuma razão para angústia e mais provavelmente para um número, supondo que não houve espanto, não é necessário que se misture espanto.

A decisão de limpar os móveis é uma forma de não quebrar e desmantelar. A única maneira de usar o costume é usar sabão e seda para a limpeza. A única maneira de ver o algodão é ter um desenho concentrando a ilusão e a ilustração. A maneira perfeita é acostumar a coisa a ter um forro e a forma de uma fita e ser sólida, muito sólida em pé e usar um peso pela manhã. Isto é leve o suficiente. Isto tem forma agradável. Muito agradável não pode ser um exagero. Enfático demais pode ser sinceramente desmaiante. Pode ser estranhamente bajulador. Pode não ser estranho em tudo.

Tradução: Elton Uliana

Resenha de filme: “A família Bélier”

Essa é uma produção francesa, que conta a história de uma família: mãe, pai, filha mais velha e filho caçula. Vivem em um sítio no interior da França, fabricam queijo e depois vendem em uma feira. A moça tem 15 anos e leva uma vida típica de adolescente, exceto por uma coisa: ela serve de intérprete da linguagem de sinais para os seus pais e irmão, que são surdos- mudos. Ela é a única que fala e ouve na casa.

Leia o post completo lá no PalomitaZ, na Revista BrazilcomZ.

familia-2.superbanner