O que é a felicidade

Por Fernanda Sampaio Carneiro

Por um momento, transcendi o peso do corpo. Os raios do sol da manhã foram acendendo célula por célula, como um farol. Fiquei iluminada! Senti que podia correr sem parar durante dias, com uma força sobre- humana, nenhum mal podia ser acessível a mim. Fui apertando o passo e, sem perceber, estava saltitando como menina. Apertei os olhos impregnados de azul e a gargalhada explodiu incontrolável. Abri os braços ao sol e gritei ao céu: “- Obrigada, Senhor!”.

Ano de 2012, em Feira de Santana, depois de cinco anos fora. Saí da casa da minha melhor amiga, que havia me hospedado, e por uns instantes senti a magia de voltar pra casa. E agora, já são quase oito anos. Pensa.

Sinto falta do ar da cidade. Já percebeu que cada uma tem um perfume?

Haverá pessoas para colocar pedras nas suas vontades, porque não são as delas. Existirão muitos desvios, setas erradas, profundezas, para te enviar a caminhos muito mais longos, estratégias de distração, falácias, que te farão chegar a lugar nenhum.

Do cansaço, nascem a consciência e a esperança. O destino é indefectível.

E você, sabe onde está a sua felicidade?

Resenha: “O que não me sai da lembrança”, de Antonio Miranda

Esta obra viajou do Brasil até Madri com uma curiosidade: meu tio é personagem neste livro de crônicas do baiano Antonio Miranda Fernandes (Baixa Grande, 21/11/1946). Antonio é multifacetado: ator, músico, redator, produtor de TV, publicitário e também foi bancário e soldado (serviu o Exército sendo militante de esquerda!). Tem uma companheira chamada Rosa, pai de quatro filhos e avô de três netos.

Antonio Miranda

A arte é bem feita, nota- se que houve uma preocupação estética. O livro é de memórias dos anos 60, 70 e 80, algo também contemporâneo, como a crônica “Quem vai à Roma ver o Papa passa por Veneza”, onde ele e sua Rosa pegaram um trem errado na Itália. Há cinquenta e uma histórias curtas e, como diz o subtítulo, ” Muitas verdades e algumas mentiras em desordem cronológica”. A mentira deve ter sido por conta do rato que botava gato pra correr na pensão da tia de Glauber Rocha. O resto deve ser tudo verdade.

Miranda cresceu em Feira de Santana, a mesma cidade onde vivi durante mais de 20 anos. O autor cita lugares, pessoas e ruas familiares, inclusive a que foi a minha última morada na cidade, a rua Castro Alves. Nos anos 60 nesta rua, um sujeito muito alegre que trabalhava numa casa de família, o Brás, foi preso por usar na rua a expressão com um jeitinho baiano de ser, “fudeno”. A repressão militar, que esperamos, nunca mais aconteça.

As recordações sobre a ditadura é o que mais me chamou atenção nesta obra. É essencial o testemunho de gente que viveu as consequências da ditadura e também para que se desmistifique a imagem negativa dos “comunistas” trabalhada com tanto êxito pela repressão e que vigora no imaginário popular até hoje. O Exército tinha o poder de fazer toda a propaganda negativa contra quem lutava pela democracia, pela justiça, pelo bem- estar de todos e a favor da liberdade.

Foi assim: em 1968, com o AL- 5 massacrando os brasileiros, os movimentos populares se manifestavam ocupando as ruas. (p.24)

O “Ato Institucional Número Cinco”, o AI-5, citado recentemente pelo filho do presidente da República do Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro, como “solução” caso a esquerda radicalize. O presidente o desautorizou e disse que o filho “está sonhando”. O AI- 5 derrubou a Constituição e criou dezessete preceitos duríssimos, onde o Exército começou a caçar, torturar e a matar sumariamente quem fosse contra o regime: jornalistas, artistas, políticos, estudantes, homens, mulheres e crianças, famílias, gente como eu e você. Inclusive o meu tio Normando Leão, que foi preso e torturado em Feira de Santana. Trabalhava na prefeitura de Feira de Santana, que foi tomada pelos militares na gestão de Francisco Pinto. Estudante e trabalhador! Mas, antes da prefeitura, o meu tio trabalhou na livraria “Lápis de Ouro” no centro de Feira de Santana, junto com o autor desta obra, seu primeiro emprego (p. 60-61):

Não vou colocar a crônica inteira por motivos óbvios, mas o final é inusitado.

Este vídeo sobre o AI- 5 é muito esclarecedor:

O fantasma da ditadura volta a rondar.

Miranda, jovem e militante de esquerda contra o Regime, participava de manifestações como em Salvador, no Largo de São Bento. A massa humana formava um escudo contra as balas:

“E de massinha em massinha, íamos todos escapando da polícia, sem deixar as palavras se perderem, mirando nosso público- alvo e escapando do tiro ao alvo dos homens que se diziam da Lei.” (p.25)

A crônica “Ocupação da Escola Teatro” conta como os atores, incluído Miranda e Margarida Ribeiro ( o teatro de Feira leva seu nome, está faltando um site), tiveram que fugir em Salvador por causa do AI- 5.

A solução no mundo civilizado é a palavra, a Constituição e o entendimento, os acordos entre diferentes. Não há outro caminho.

No entanto, as crônicas não falam só da repressão militar. Há memórias de amigos como Jaguar , Capinam ( eu também cortaria do poema “em dois”) e Millôr, do seu trabalho na Bahiatursa (Turismo), no IRDEB (Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia), sobre os bastidores da TVE e sobre quando trabalhou no Departamento de Cultura da prefeitura de Salvador e conheceu Zezé Mota e Marco Nanini. Também foi Secretário de Turismo e Cultura em Feira de Santana. E sobre a sua ida para Berkeley e do seu “fino” inglês, tudo com muito humor.

Brigitte Bardot, no auge da fama e com uma namorado brasileiro, instalou- se em Búzios e aderiu ao golpe militar. O que tinha de bonita, tinha (e tem) de pérfida. A fascista tem agora 85 anos e não se emendou, continua uma víbora. Declarou- se contra um movimento feminista, é racista e xenófoba, leia aqui (em espanhol). Ela é citada na página 38 e na música emblemática “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso, adoro este vídeo:

Miranda conta que Caetano foi o primeiro cantor de trio- elétrico (1972), tirou a faixa de Moraes Moreira (1975). “(…) Caetano subiu ao Trio Tapajós e cantou “Chuva, suor e cerveja” (p.63)

Obrigada, Miranda, pelo livro corajoso (e bem humorado) em um momento necessário, onde há ameaças à nossa democracia! E grata pela simpática dedicatória, “tio”… e grata ao meu tio Normando pelo envio. Que livros assim inspirem outros a revelarem as verdades sobre um dos períodos mais tristes da história brasileira que não… não dá pra esquecer.

Miranda, Antonio Fernandes. O que não me sai do pensamento- Muitas verdades e algumas mentiras em desordem cronológica. Editora P55, Salvador, 2019. Páginas: 96

Resenha: “Nós que apagamos a lua”, de Alana Freitas

Esta é uma obra especial, porque tem uma carga afetiva intrínseca: ela foi escrita por uma colega da Universidade Estadual de Feira de Santana. Daquela menina juveníssima, a mais precoce da sala, recordo a alegria, o companherismo, as intervenções sempre inteligentes e do seu comprometimento com o mundo das Letras. Agora, já doutora das Letras, professora de literatura na mesma casa que a acolheu como estudante, lança o seu primeiro livro de ficção, uma coletânea de vinte e uma crônicas. Possivelmente Alana sofra dessa doença “crônica”, como ela mesma define do seu texto de abertura (“Conceito crônico”, p.13). Depois da leitura de “Nós apagamos a lua”, cheguei à conclusão que este será o gênero que a definirá no panorama literário brasileiro. Alana deita e rola, é uma cronista nata.

Alana Freitas El Fahl

“Nós que apagamos a lua” começa a massagear a alma só pelo título tão poético. Cada crônica é antecedida por um aforismo.

No segundo texto, a cronista citou o professor de literatura Luiz Alberto, que podia ser considerado patrimônio da cidade de Feira de Santana. Professor de “segundo grau”, assim chamava- se o nosso Ensino Médio. Luiz Alberto foi a primeira pessoa que vi vestido com um sobretudo no sertão da Bahia, uma figura memorável e peculiar. Alana recorda suas expressões latinas, em especial “aurea mediocritas”, o prazer da vida média, sem sobressaltos. Um texto brilhante, “Gente média” (p.17)

Eu, expatriada há quinze anos, notei com saudade o jeito brasileiro (especialmente baiano) nos textos da Alana. O lado bom do nosso povo, esse de se fazer amizade em qualquer lugar, até no táxi (“Táxi ou Uber?”, p. 21). Na Espanha, vou ao mesmo endocrinologista há dez anos, com a frequência de até três vezes ao ano. Todas as vezes é como se ele me visse pela primeira vez. Eu posso citar centenas de situações assim. No Brasil isso não acontece, há proximidade, carinho e calor humano. O brasileiro é muito mais comunicativo, aberto ao outro, que europeus, até os latinos.

Na próxima crônica (“De passagem”, p. 25), com sua audição afiada, Alana conta as conversas de fila, de sala de espera, que são muito variadas, nem sempre construtivas. O brasileiro reclama de tudo, reclama do outro com certa hostilidade, com ar de fofoca, uma certa ignorância sobre assuntos importantes e até preconceito. Não deixa de ser divertido essa espontaneidade, com perdas e ganhos, vale a pena.

Alana fala sobre a amizade em “O tipo mais fino de amor” (p.31). Não posso estar mais de acordo, quando desinteressada e verdadeira, a amizade espontânea que se consolidada com o tempo e confiança, é o tipo de amor mais nobre e genuíno.

Um dos mais emotivos é “Juarez”, o doido da rua da autora. Ninguém é tão doido que não consiga amar, a ter apreço e respeito por alguém. O amor encontra brechas até na loucura (p.41). Cadê Juarez, Alana? O que foi dele?

Alana também faz confissões. Narrou magistralmente como a depressão chega e se instala. Um mal silencioso e que vai dominando com toques de culpa e questionamentos, a busca do “porquê?” (p.45). A própria vida já é motivo, não tem que existir um específico. Ela também conta sobre o câncer de tireóide que padeceu, esse “arqueiro cego” (p.59), que nos amedronta a todos, pessoalmente e pelos que amamos. Quem está na luta, que seja breve, e que você saia forte, com muitos aprendizados e muita força para continuar a jornada.

Quem me conhece sabe que uma das minhas características principais é a sinceridade. Apesar de Alana ser uma velha amiga, eu fiz uma leitura imparcial. Leitura é coisa séria. Eu jamais indicaria um livro ruim por “amiguismo”. E este eu indico sem reservas, podem abusar. É muito bom!

Alana, eu te daria um longo abraço por este presente lindo em forma de crônicas. Te conheci mais e te abracei no final de cada texto. Como disse Flávia Aninger no pósfacio: “Toda leitura é oportunidade de encontro”, nos encontramos sim.

Que a vida te presenteie com muitas jujubas vermelhas (p.73) e que nós, mulheres multitarefas que “apagamos a lua” todos os dias, possamos descansar também, que possamos desfrutar do crepúsculo, sem pressa, sem estresse, com uma boa taça de café ou vinho, observar o anoitecer, enquanto eles preparam o jantar. Que o tempo nos seja gentil!

El Fahl, Alana Freitas. Nós que apagamos a lua, Zarte, Feira de Santana, 2018.

Este livro está sendo um sucesso, já teve uma reimpressão. Você pode pedi- lo escrevendo para a editora Zarte: zartegraf@gmail.com ou mandando uma mensagem ao WhatsApp: (71) 99116-6034

Alana escreve sobre novelas no blog “Entretelas”, lá você pode entrar em contato com a autora (clica).

Onze livros para sorteio!

Na véspera da Páscoa, vamos animar o coreto?! Sorteio de 11 livros, já que só faltam 10 pessoas para atingirmos 11 mil curtidas no Facebook.

Escolhi 11 livros da minha biblioteca para o sorteio:

  1. “O desejo de Kianda”, do angolano Pepetela, comprado em Lisboa.
  2. “Amar se aprende amando”, do brasileiro Mário de Andrade.
  3. “A poesia da notícia”, do brasileiro Thiago David.
  4. “Pedro”, do brasileiro Luis Taques.
  5. “Olhares”, do português Rui Chafes, edição bilingue inglês- português, comprado na Universidade de Coimbra.
  6. “Ensino da língua materna”, da portuguesa Maria José Ferraz, muito bom para professores.
  7. “Navegando”, do brasileiro Rubem Alves.
  8. “Em busca do tempo perdido- Sodoma e Gomorra”, do francês Marcel Proust.
  9. “O alienista”, do insuperável brasileiro Machado de Assis.
  10. “Meio ambiente e formação de professores”, da brasileira Heloísa Dupas Penteado, também excelente para professores.
  11. “Só”, do português Antônio Nobre, também comprado em terras lusas.

Agora, atento(a) para as regras do sorteio:

  1. Curtir a página do Falando em Literatura no Facebook.
  2. Marcar três amigos no post do sorteio (esse) que vai estar no Facebook.
  3. Pode participar gente de qualquer lugar do mundo.
  4. Uma pessoa não pode ganhar dois livros. Ganhando um, automaticamente sairá do sorteio dos demais.

Não é obrigatório, mas seria gentil que compartilhassem o post também.

E atenção! Este sorteio só será realizado se, no mínimo, 50 pessoas marcarem seus amigos lá no Facebook.

Detalhe: os livros já foram lidos por mim, alguns estão como novos, mas há alguns que estão sublinhados e com anotações (antes eu fazia isso, agora não mais).

O sorteio será realizado no dia 15 de maio de 2017.

Dez livros que você deve ler antes de morrer

Para os amantes da literatura (ou não), recomendo esses dez grandes livros da nossa literatura brasileira, essenciais na biblioteca de todo bom leitor, veja quantos leu dessa lista, se tiraria ou acrescentaria algum deles:

  1. “Dom Casmurro”, de Machado de Assis

Machado de Assis (1839-1908) foi o melhor escritor que o Brasil teve de todos os tempos. Recomendo a leitura de toda a sua obra, mas escolhi “Dom Casmurro” pela intriga, pela dúvida e mistério que Machado cria em torno dos personagens Capitu e Bentinho. Será que a esposa traiu o marido? Uma obra imperdível!

  1. “Grande sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa.

É uma saga sertaneja que impressiona pela inovação e riqueza da linguagem. Guimarães Rosa (1908- 1967) foi um escritor único, inimitável, muito original, que vai te deixar impressionado ou impressionada. É uma obra muito, muito complexa, que irá te fazer pensar em muitas coisas da vida. Garanto!

  1. “Essa Terra”, de Antônio Torres.

Uma obra emocionante, que certamente irá tocar o seu coração imigrante. Antônio Torres (1940) conta a história de uma família baiana humilde do interior. Um dos filhos vai para São Paulo, como é o destino de muitos nordestinos. Uma narrativa composta de tragédia, comédia, drama, que chacoalha sentimentos.

  1. “A hora da estrela”, de Clarice Lispector.

O último livro de Clarice Lispector (1920- 1977), “A Hora da estrela”, conta a triste vida de Macabéa, uma nordestina na grande cidade. A moça vive e come mal, é maltratada pelo namorado e pelo chefe, traída pela amiga, mas consegue manter a ingenuidade e a esperança. É de uma beleza e sensibilidade comoventes!

  1. “A república dos sonhos”, de Nélida Piñón.

Nélida Piñón (1937) é a melhor escritora brasileira de todos os tempos! Você pode comprovar lendo “A república dos sonhos”, um trabalho fino de arte literária. Os pais da autora eram espanhóis e Nélida tem uma relaçao íntima com a Espanha, fato refletido nessa obra. Esse romance conta a história de imigrantes galegos no Brasil. Vale a pena!

  1. “Compêndio para uso de pássaros- Poesia reunida de 1937- 2004”, de Manoel de Barros.

Esse é uma obra para ficar na sua cabeceira (e no seu coração) para sempre! Manoel de Barros (1916- 2014), poeta, escreveu a vida e a natureza com uma beleza infinita!

  1. “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

Uma obra feita para o teatro, uma comédia, de Ariano Suassuna (1927- 2014). Os personagens João Grilo e Chicó são hilários e inesquecíveis, não deixe de ler!

  1. “Vidas secas”, de Graciliano Ramos.

Essa obra- prima de Graciliano Ramos (1892- 1953) é bastante marcante e forte. Conta o drama de uma família retirante nordestina e as agruras da terra seca, a luta pela sobrevivência. Os personagens mal falam, soltam sons guturais, e com isso, expressam muito. A cachorra Baleia é uma grande protagonista, quase humana. Ou são os humanos que estão à beira da desumanização devido ao sofrimento? Grande livro!

  1. “O sentimento do mundo”, de Carlos Drummond de Andrade.

Você tem que ler toda a obra de Drummond (1902- 1987), esse é um autor essencial. Sua obra poética é rica e bela. O autor era jornalista e escrevia crônicas também. Seus versos são de arrepiar!

  1. “Ciranda de pedra”, de Lygia Fagundes Telles

A grande escritora brasileira, Lygia Fagundes (1923), conta no seu primeiro romance “Ciranda de Pedra”, um drama familiar. É um romance psicológico que nos faz refletir sobre a nossa própria vida.

Publicado originalmente na Revista BrazilcomZ (Espanha), abril/2016, Fernanda Sampaio.

Feliz 2016!

Último dia do ano! Como foram as leituras em 2015? Cumpriram suas metas?

bcz

Deixo aqui um poema muito bonito de Mario Benedetti:

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Não te rendas

Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o vôo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo

Mais um ano juntos, obrigada pela companhia! Até o ano que vem!

Ariano Suassuna em Feira de Santana

Não sei quantas vezes li “O Auto da Compadecida”, mas foram muitas. Uma das obras mais incríveis e divertidas da literatura brasileira, escrita pelo genial Ariano Suassuna, que vai estar em Feira de Santana no dia 6 de maio, às 18:00 hs, no Centro de Cultura Amélio Amorim. Ele vai ministrar uma “aula- espetáculo”, que faz parte da Celebração das Culturas dos Sertões promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

No Teatro Municipal de Feira de Santana também vi repetidas vezes a encenação do “Auto da Compadecida”, ao recordar algumas cenas me provocam risos até hoje. É uma obra super recomendada para adolescentes, é uma isca, uma excelente “armadilha” para aprisioná- los no mundo da literatura.

Ariano Suassuna (João Pessoa, 16 de junio de 1927) é defensor da cultura nordestina. Ele vai falar sobre a sua infância e juventude em Cariri, no Ceará.

Foto: Jangadeiro online

O bacana é que vai ter transmissão ao vivo e nós que moramos no exterior ou em outros estados do Brasil vamos poder assistir no site da Irdeb.