O Falando em literatura vai mudar!

Porque mudanças são necessárias…livros sim, mas também imigração, opinião, lifestyle, viagens, e o que nos ocorrer.

Feliz 2020!

Resenha: Literati, de Barry McCrea

“Literati” lembra “Illuminati”, a sociedade secreta do século XVII, a qual Goethe e outros “iluminados” fizeram parte. Foi a única dedução que fiz sobre o livro a priori, pois não sabia absolutamente nada sobre o autor e a obra, só tinha o título e a sinopse: “Parecia um inocente jogo literário e acabou tornando- se um intrigante e perigoso vício”.

“Ressuscitamos o cemitério do pensamento humano de todos os tempos” (p.82)

O autor, Barry McCrea (1974) é irlandês de Dublin, com uma formação acadêmica sólida na área de Letras. Doutor em Literatura Comparada pela Princeton e professor de literatura na Yale.

Barry MacCrea

Dá para conhecer bastante da cultura irlandesa nesta obra. Referências e influências claras de James Joyce, o autor de Ulisses é citado várias vezes. A forma como fala de Dublin, seus bairros, ruas e pubs, lembra muito seu conterrâneo mais ilustre (mais nos primeiros capítulos). Inclusive o livro serve como guia turístico, os lugares existem mesmo, como o pub Hogan´s na Georges Street, a discoteca/bar Ri- Ra (em 2016 parece que fundiu- se com outra discoteca “The Globe”), o O’Neill’s na Suffolk Street e o Gonzaga College, por exemplo, que é um colégio religioso para meninos.

Um dos pubs irlandeses citados na obra

McCrea cita Sandycove, onde fica a casa do protagonista em Dublin. Neste bairro está a Torre Martello, que na verdade é uma espécie de farol ao pé do mar e que funciona como hotel. Neste ambiente começa “Ulisses”. Mas, sobre este livro, eu volto com a minha nova visão e retratação em outro momento. Eu fiz uma resenha muito negativa há anos e estou relendo e revisando. Sim, eu mudo de opinião, o leitor é camaleônico, uma mesma obra pode ser muitas, tal como o humano, senão seríamos muros (há quem seja).

O protagonista, Niall Lenihan, estudante de Letras e escritor, tal como o autor da obra (deve ser o seu alter ego) era apaixonado pelo colega do Ensino Médio e forçou situações para estar perto do rapaz até tornar- se o seu melhor amigo. Depois para foi para a universidade, mora numa residência estudantil, conhece outra estudante, Fionnuala (primeira vez que vi este nome) e começa a frequentar pubs noturnos, principalmente o gay “George”. Essa parte achei bastante entediante, pareceu- me narrativa adolescente.

A questão dos sotaques me chamou bastante a atenção. O narrador- personagem sabe de que lugar e classe social é o dublinense de acordo com o seu sotaque. O falar pode ser motivo de discriminação, de rótulos, acontece muito em todo o mundo. O autor brinca com o sotaque de uma garçonete espanhola, que forçou o típico sotaque da região. Nota- se que o autor é da área de Letras.

No primeiro capítulo, o protagonista vai de bebedeira em bebedeira até o final do segundo capítulo, onde acontece a revelação do jogo literário, no dia seguinte de uma festa, enquanto o grupo de universitários recuperava- se da noitada:

O jogo literário

A ideia é bacana: o jogo literário “(…) é uma forma de adivinhação conhecida há milênios…os babilônios, os árabes, os hebreus, os egípcios, todos a utilizaram.”

Trata- se de pensar (ou dizer) uma pergunta e abrir um livro aleatoriamente. A resposta estará no parágrafo lido. Uma espécie de oráculo, uma forma de comunicação mística e também com a sincronicidade da vida. Fatos aparentemente aleatórios, mas que na verdade não são. Tudo que acontece tem uma causa, tudo está interligado. Tem gente que faz isto com a Bíblia.

Até aí é legal, só que o “clube de leitura” vai muito além disto, é organizado, parece uma seita. Os que estão num nível inferior não podem conhecer quem está no topo e há muito secretismo e proibições.

Vou lançar no Instagram a tag #jogododestino. Quem topa brincar? Participe lá no @falandoemliteratura! Irei fazer uma demonstração nos stories (amanhã, sábado). Será que vai dar certo? Vamos conseguir respostas para as perguntas?

Mas, cuidado: é só uma brincadeira, não leve a sério como levaram os personagens desta história. Nosso cérebro e emoções são complexos e capazes de fazer milhares de associações. A leitura estimula a criatividade e não vá realmente acreditar ou modificar algo importante, tomar decisões por causa deste jogo, porque é isto: é só um jogo.

Segundo eles, o jogo “destinos” traz à tona o que há de mais misterioso na vida, a comunicação com o mundo do além, abre um portal para receber sinais de outros mundos que não podemos ver. Um portal de comunicação com o além. John e Sarah fazem parte do jogo e Niall os segue, insiste, até ser aceito e começam uma sessão de “destinos” no apartamento de John.

Dessa vez o jogo literário consiste em cada um ler um trecho de três livros diferentes e depois fazer a leitura simultânea sem parar. A experiência fez Niall perder a consciência. As vozes viraram uma espécie de mantra frenético, o jogo provocou um efeito similar ao consumo de um narcótico.

Niall passa o livro todo correndo atrás de Pedro Virgomare, uma figura que aparece no início, lhe fala uma frase enigmática, que o manteve intrigado todo o tempo. Essa parte é bem aborrecida. Niall vê Pedro de longe, corre atrás pelas ruas de Dublin, mas o cara sempre desaparece.

Achei o personagem principal volúvel, egoísta, não me cativou. Sua vida resume- se em bebedeira, sexo ocasional e descartar pessoas que lhe ajudam. É um sujeito altamente influenciável e meio esquizofrênico. Desprezou e magoou sua amiga Fionnuala, quando esta indaga se ele está usando drogas, mas está na verdade intoxicado pelos sincronismos das leituras em grupo, cria uma espécie de paranoia. Não só Niall, mas também John e Sarah perdem tudo por causa desse jogo literário obsessivo. Niall também não dá muita importância à sua família, a Chris, um cara legal que ele tem um affair e vive dando bolo, seu amigo de colégio e por assim vai. Parece que as pessoas egoístas e irresponsáveis têm sorte, sempre acham quem as ajude quando precisam, mas são ingratos por natureza, reiteram no erro.

No início, achei o jogo interessante, mas depois a história enveredou por um caminho que não gostei. O autor profanou a arte da leitura, como se ler pudesse transformar- se em algo extremamente daninho. Mas, pensando bem…apesar da desagradável sensação, pode mesmo: leia sem parar, não durma, não cuide das coisas cotidianas, da família, estudo, emprego, amores, busque significados “tortos” em tudo o que ler, acredite neles e faça o que mandam. Ou seja, desvirtue o objeto, o livro, transforme- o em outra coisa… pronto, o monstro foi criado. Inclusive eles destruíam livros, colavam partes de livros diferentes formando outro, tipo um livro Frankenstein.

Esta é uma obra esquisita. Nunca terminei uma leitura com uma sensação tão grande de desconforto. O afã de conhecimento transformado em loucura, obsessão. E isso pode acontecer com qualquer coisa, qualquer ideia fixa, irracional, que o sujeito tome como verdadeira. Que desastre quando se dá uma utilidade que não é da própria natureza do objeto.

Este livro foi ruim como um vício: você sabe que está fazendo mal, mas não consegue deixar de ler. Tal como o protagonista, o estudante de Letras de 19 anos, que pensou entrar num clube literário e caiu numa armadilha. Eu só desejava que acabasse.

Não recomendo, nem deixo de recomendar. É um livro estranho, que me assustou um pouco, é chocante e labiríntico, provocou- me agonia ver o protagonista entrando num círculo de auto- destruição. A impressão que fiquei é que deve ter algo de auto- biográfico, possivelmente o autor viveu algo das situações narradas. Ou não…só ele sabe. Eu não consegui adivinhar o final, que foi sem graça , por sinal…

Ah, como citei, este livro é um ótimo guia de Dublin, talvez o que mais tenha gostado. Inclusive deixo aqui o link da RTE de Dublin para quem está estudando inglês, você pode ouvir e ver rádio, TV, notícias de Dublin ao vivo. Inclusive tem um artigo em “lifestyle” que diz que 50% da nossa felicidade é genética, 10% e 40% atividades que nós escolhemos. Temos 50% de chance de vencer o determinismo genético.

Abaixo a edição espanhola lida, da editora Destino:

Foto: Fernanda Sampaio

Próxima resenha: “O buda dos subúrbios”, de Hanif Kureishi, que começarei a ler hoje. Quero zerar a pilha de livros autografados, um desafio que coloquei para mim mesma. E você, o que está lendo?

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Escritura Criativa com Antônio Torres em Madri

Antônio Torres (Sátiro Dias, 1940) é o escritor da obra “Essa terra”, que está entre as cinco primeiras da minha lista de preferidas da literatura brasileira. Antônio Torres é simpático, acessível, mantém uma comunicação fluida com seus leitores, é um “cara” legal.

Hoje eu o conheci pessoalmente em Madri numa master class sobre escritura criativa, só havia eu de brasileira.

Algumas conclusões sobre o ofício da escritura:

  • Disciplina: a diferença entre duas pessoas que sonham em escrever um livro, uma que consegue e a outra não, é a constância e o trabalho. Bom ou ruim, publicando ou não, a pessoa disciplinada consegue chegar ao final. Há distrações demais e desconectar- se de todas não é tão fácil. É necessário despedir- se de tudo que tire a atenção do escritor.
  • Solidão: escrever é um ato solitário e que exige atenção total. É das poucas coisas na vida que não podem ser feitas junto com alguma outra. Escrever é enfrentar a solidão e dialogar com os próprios pensamentos e emoções. Mergulhar neste mundo interior de recordações e experiências nem sempre agradáveis pode ser desgastante, muita gente foge disto.
  • Escolhas: para escrever é preciso deixar de fazer alguma outra coisa. O tempo é curto e algo vai ter que ficar para trás.
  • Técnica: Antônio Torres acha que pode- se aprender a escrever (tal como pensamos a literatura, como Arte). Ele falou sobre o conflito que é o X da narrativa. E o conflito clássico por excelência é o relacionamento homem x mulher. E eu acrescento: ou homem x homem, ou mulher x mulher. O que se faz com isso já fica por conta do talento do escritor ou escritora. Torres acha que não há problema que um texto esteja inspirado em outro, que lembre outro. Essa é uma questão que concordo parcialmente. Quando lembra demais me parece uma grande falha do autor. Acho que a “originalidade” é uma grande virtude, a mais difícil de se conseguir. Dentro dos arquétipos clássicos, quem consegue contar a mesma coisa de uma forma “diferente” é rei ou rainha.
  • Musicalidade: Antônio Torres narra como quem compõe uma obra musical. Há que se observar o ritmo, a cadência das palavras.
  • Critério: escolher a palavra certa é uma tarefa hercúlea muitas vezes para o autor. James Joyce uma vez foi encontrado por seus amigos deitado na mesa da cozinha, preocupado: “hoje só escrevi cinco palavras e não sei em que ordem colocá- las”. O autor demorou sete anos para escrever Ulisses, hiper- crítico com seu trabalho. Saramago jamais escrevia mais de duas folhas por dia…enfim, a palavra é para ser escolhida com pinça cirúrgica.

Escrever é começar algo sem tempo certo para terminar. Isto provoca ansiedade em muito sonhador ou sonhadora, que desiste antes de começar.

Antônio Torres, Residencia de los Estudiantes, 29/10/2019 (foto: Fernanda Sampaio)

O evento aconteceu na “Residencia de los estudiantes“, um centro estudantil- cultural fundado em 1910 na cidade de Madri, no bairro Chamberí, com o objetivo de complementar o ensino universitário proporcionando interação entre artes e ciências, além da criação e difusão. Muitos intelectuais ilustres frequentaram a Residência, a prata da casa: Miguel de Unamuno, Alfonso Reyes, Manuel de Falla, Juan Ramón Jiménez, José Ortega y Gasset, Pedro Salinas, Blas Cabrera, Eugenio d’Ors ou Rafael Alberti, por exemplo, e também os visitantes: Albert Einstein, Paul Valéry, Marie Curie, Igor Stravinsky, John M. Keynes, Alexander Calder, Walter Gropius, Henri Bergson e Le Corbusier.

A Residência também é dormitório para estudantes. É um lugar bastante interessante, com gente também muito interessante e inspiradora.

Na próxima quinta- feira estarei lá e prometo tirar mais e melhores fotos para vocês sentirem o ambiente incrível do lugar.

Foi um prazer receber um baiano, um brasileiro para dar dicas sobre a arte literária na terra de Cervantes. Este tipo de brasileiro que nos orgulha aqui fora.

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Fiz um exame de DNA, veja o resultado

Eu sou fascinada por assuntos ancestrais. E para descobrir mais sobre os meus, comecei a fazer a minha árvore genealógica no ano passado e depois completei com um exame genético.

Pelo lado paterno (português), consegui avançar bastante, já que Portugal soube conservar muito bem os seus registros paroquiais e teve a deferência de disponibilizar, gratuitamente, os arquivos digitalizados na internet. Consegui chegar até a minha sétima geração (e seguirei). Tais arquivos me levaram a conhecer a minha cidade raíz em Portugal e tive uma grande surpresa ao visitá- la, mas esta história, possivelmente, será contada num livro.

Se você desconfia ou tem certeza de que tem ancestrais portugueses, pode procurar os registros no Tombo.

Já a minha busca pelas raizes brasileiras está sendo infrutífera. No cartório da cidade de Ipirá (Bahia), onde nasceram minha mãe, avós e bisavós, não acharam nenhuma certidão destes últimos, o que impede de avançar. Dos trisavós eu sei os nomes de uma das ramas, nenhum dado mais.

Agora há uma esperança: os mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) estão digitalizando os arquivos paroquiais do Brasil. Registros de nascimento, casamento, batizado e óbito. Estou olhando os de Feira de Santana e Cachoeira, pois no final do século XIX, a cidade de Ipirá (então chamada de “Camisão”) pertencia a estas outras localidades.

Faltam páginas nos livros, há páginas ilegíveis, fora a letra dos sacristãos, que são verdadeiros hieróglifos, parece que escreviam para ninguém entender. Está sendo um trabalho árduo e é preciso ter olho bom e muita paciência.

Se você tem curiosidade em descobrir as suas raízes, algum imigrante europeu que foi para o Brasil ou os registros já citados, vá lá no Family Search. Basta registrar- se, é tudo gratuito. Eu encontrei os registros de imigração do meu pai, avó e tios que imigraram de Portugal ao Brasil nos anos sessenta. Encontrei documentos com fotos deles que não conhecia. E tem uma parte útil disso também, o de resgatar nacionalidades estrangeiras, já que tem muita gente com vontade de morar em países diferentes.

“Quem sou eu?” Quem já não se fez esta pergunta? Pelo menos uma resposta genética é possível.

Eu fiz um teste no “My Heritage”, que é uma empresa de um cientista de Israel, Gilad Japhet, mas o laboratório fica em Houston, nos Estados Unidos. O processo é bem simples. Você faz um registro no site ou aplicativo, pede um kit (agora custa 59 euros) e não demorará a chegar. No kit há duas hastes com algodão compridas, que você irá passar no interior da boca por dois minutos de cada lado e depois colocar dentro de uns tubinhos com um líquido que conservará o seu material genético. Coloca- se num envelope já timbrado e o envio pelo Correio é por nossa conta. Podemos acompanhar no aplicativo o passo- a- passo do processo de extração do DNA. O resultado demora um mês. Veja qual é a minha herança étnica, eu achei incrível, três continentes!

Claro ficou que os meus predecessores também tinham alma imigrante como eu! Esse teste pode mostrar vestígios antigos, de mais de 500 anos. Quanto menos DNA, mais provável que seja antigo. Herdamos 50% de cada um dos pais, 25% dos avós e irmãos, e de bisavós cerca de 12% do nosso material genético. Mas falar de DNA não é coisa simples, é muito complexo, até mesmo para os cientistas.

O My Heritage tem um banco genético enorme e vai cruzando os dados armazenados. Já encontrei primos que jamais pensaria conhecer por causa deste teste. Hoje tenho amizade com uma prima de quarto ou quinto grau, brasileira que mora nos Estados Unidos. E estou conhecendo muita gente interessante. A última foi uma prima da Bahia, compartilhamos sobrenome e genética, além do gosto pelas Letras. Na minha lista há cerca de 1300 primos distantes. Minha mãe e irmãos também fizeram o teste, o que elucidou (um pouco) o que herdei de qual progenitor.

A minha pele é branca, alvíssima…mas vejam: tenho sangue nigeriano, norte- africano (região do Marrocos, Líbia, Egito, Argélia, Tunísia e o Saara, eminentemente muçulmana) e indígena americano. Acho que uma boa tentativa de acabar com o racismo no mundo seria que todo bebê deixasse a maternidade com um teste genético. Meu marido, que também fez o teste, além de ibérico, irlandês e italiano, também é judeu asquenaze (asquenazita, vi que no Brasil também chamam assim, uma gente muito inteligente, a maioria dos vencedores de prêmios Nobel tem essa etnia. Meu marido é inteligente mesmo, casou comigo…hahaha!). Ou seja, ele casou- se com uma pessoa com sangue mouro, “inimigos” (veja o eterno conflito entre muçulmanos e judeus em Jerusalém/Faixa de Gaza/Israel).

Ninguém é puro, homens e mulheres misturaram- se durante milênios. Ter consciência de quem me precedeu enriqueceu- me muito. Comecei a me interessar e a pesquisar sobre esses países, meu mundo expandiu- se.

A minha composição genética/geográfica ancestral faz muito sentido. Eu já montei várias histórias e suposições. E consigo imaginar como deveria ser cada dessas figuras que ficaram marcadas nas minhas células. O corpo conta histórias.

Hoje em dia há correntes que pensam que o DNA não é imutável, que nosso modo de vida, de pensar, de agir e de sentir pode modificá- lo. Veja que livro interessante (esse não tem muito a ver com etnias, é mais sobre saúde e estilo de vida):

Durante muito tempo acreditamos que os genes determinassem nosso destino biológico e que fossem imutáveis, mas recentes descobertas no campo da genética mostram que eles são dinâmicos e podem ser influenciados por diversos fatores. Em Supergenes, a dupla de médicos Deepak Chopra e Rudolph Tanzi discorre sobre como a ciência atual sustenta que nossos genes reagem a tudo o que fazemos, dizemos e pensamos. Oferecendo um cardápio de escolhas para 6 esferas da vida – dieta, estresse, atividade física, meditação, sono e emoções –, em três níveis de dificuldade, os autores também mostram, de forma muito prática, o que devemos fazer no dia a dia para ativar o melhor do nosso código genético pela vida afora.

Eu quis compartilhar com vocês a emoção dessas descobertas. Se você fizer o teste, me conta o resultado depois. Até a próxima!

PDF grátis: “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector

Nesta obra, “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector, que você pode baixar gratuitamente aqui, há um dos melhores contos da literatura brasileira: “Felicidade clandestina”, que deu nome ao livro.

Clarice Lispector

Que felicidade ter um livro querido e desejado nas mãos, não é? A menina do conto, talvez a voz da menina Clarice, sentiu essa “felicidade clandestina” ao conseguir o livro de sua “algoz”. Não deixe de ler!

Quantos livros você lê por ano?

Que tipo de leitor você é? Lê muito ou pouco? Por obrigação ou prazer? Lê livros inteiros ou só fragmentos? Lê só nas férias? Lê em todos os lugares, até de pé no ônibus ou metrô? Detesta ler, mas sabe que é necessário? Que tipo de leitores são as brasileiras e brasileiros?

Nelson Rodrigues traduzido na Espanha

Uma coletânea de trinta e nove textos do pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) foi publicada na Espanha em 2018, sob o nome: “No tengo culpa de que la vida sea como es” (“Não tenho a culpa de que a vida seja como ela é”). Com tradução do consagrado artista Pablo del Barco e prefácio do escritor e jornalista Manuel Jabois, ou seja, uma edição caprichada. O livro segue a linha editorial de um volume publicado no Rio de Janeiro em 2009, pela Agora Editora; na Espanha, a editora “Días Contados” abriu as portas ao nosso doce “Anjo pornográfico”, taxado em outras épocas como “obsceno” e “vulgar”. A coletânea reúne textos publicados originalmente no jornal “Última hora” entre 1952 e 1955.


Los lectores hispanos tendrán la oportunidad de leer en el idioma de Cervantes a uno de los más irreventes escritores brasileños: Nelson Rodrigues, que era un verdadero bocazas, vamos. Utilizó el idioma de la calle para expresar de forma fidedigna el arte del pueblo brasileño.


Nelson Rodrigues, jornalista e dramaturgo, já foram para o teatro, a TV e o cinema, como “A dama da lotação” e “Vestido de noiva”. E agora seus contos “viajaram” para a Espanha.

É uma satisfação saber que a nossa literatura foi bem tratada no exterior com uma obra assim. A pena é que ainda sejam muito escassas.

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O fomento da nossa língua e literatura no exterior nunca foi prioridade dos governos brasileiros, em todos os tempos, em toda a nossa história. Parece que a ignorância faz pensar que não seja um bom negócio. Se o Brasil fosse um país comprometido com a Educação e a Cultura pensaria diferente e já teria um Instituto como outros países. Portugal, do tamanho da Bahia, fomenta o português através do Instituto Camões gerando negócios e empregos no próprio país e no exterior. É o nosso idioma? Sim e não. Eles puxam a brasa para a variante deles. Precisamos de um Instituto com o nosso sotaque e cultura.

A Espanha tem o Instituto Cervantes, que, com sua força, conseguiu ultrapassar o português em número de falantes no mundo. Se o Brasil tivesse boa vontade estaríamos em melhor posição, o Brasil podería ter o segundo idioma ocidental mais falado do mundo, só atrás do inglês; mas o país está em franco retrocesso…e em todos os setores.

Se você quiser comprar o livro citado, ele está sendo vendido nas melhores livrarias da Espanha, é só clicar neste link.