Fiz um exame de DNA, veja o resultado

Eu sou fascinada por assuntos ancestrais. E para descobrir mais sobre os meus, comecei a fazer a minha árvore genealógica no ano passado e depois completei com um exame genético.

Pelo lado paterno (português), consegui avançar bastante, já que Portugal soube conservar muito bem os seus registros paroquiais e teve a deferência de disponibilizar, gratuitamente, os arquivos digitalizados na internet. Consegui chegar até a minha sétima geração (e seguirei). Tais arquivos me levaram a conhecer a minha cidade raíz em Portugal e tive uma grande surpresa ao visitá- la, mas esta história, possivelmente, será contada num livro.

Se você desconfia ou tem certeza de que tem ancestrais portugueses, pode procurar os registros no Tombo.

Já a minha busca pelas raizes brasileiras está sendo infrutífera. No cartório da cidade de Ipirá (Bahia), onde nasceram minha mãe, avós e bisavós, não acharam nenhuma certidão destes últimos, o que impede de avançar. Dos trisavós eu sei os nomes de uma das ramas, nenhum dado mais.

Agora há uma esperança: os mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) estão digitalizando os arquivos paroquiais do Brasil. Registros de nascimento, casamento, batizado e óbito. Estou olhando os de Feira de Santana e Cachoeira, pois no final do século XIX, a cidade de Ipirá (então chamada de “Camisão”) pertencia a estas outras localidades.

Faltam páginas nos livros, há páginas ilegíveis, fora a letra dos sacristãos, que são verdadeiros hieróglifos, parece que escreviam para ninguém entender. Está sendo um trabalho árduo e é preciso ter olho bom e muita paciência.

Se você tem curiosidade em descobrir as suas raízes, algum imigrante europeu que foi para o Brasil ou os registros já citados, vá lá no Family Search. Basta registrar- se, é tudo gratuito. Eu encontrei os registros de imigração do meu pai, avó e tios que imigraram de Portugal ao Brasil nos anos sessenta. Encontrei documentos com fotos deles que não conhecia. E tem uma parte útil disso também, o de resgatar nacionalidades estrangeiras, já que tem muita gente com vontade de morar em países diferentes.

“Quem sou eu?” Quem já não se fez esta pergunta? Pelo menos uma resposta genética é possível.

Eu fiz um teste no “My Heritage”, que é uma empresa de um cientista de Israel, Gilad Japhet, mas o laboratório fica em Houston, nos Estados Unidos. O processo é bem simples. Você faz um registro no site ou aplicativo, pede um kit (agora custa 59 euros) e não demorará a chegar. No kit há duas hastes com algodão compridas, que você irá passar no interior da boca por dois minutos de cada lado e depois colocar dentro de uns tubinhos com um líquido que conservará o seu material genético. Coloca- se num envelope já timbrado e o envio pelo Correio é por nossa conta. Podemos acompanhar no aplicativo o passo- a- passo do processo de extração do DNA. O resultado demora um mês. Veja qual é a minha herança étnica, eu achei incrível, três continentes!

Claro ficou que os meus predecessores também tinham alma imigrante como eu! Esse teste pode mostrar vestígios antigos, de mais de 500 anos. Quanto menos DNA, mais provável que seja antigo. Herdamos 50% de cada um dos pais, 25% dos avós e irmãos, e de bisavós cerca de 12% do nosso material genético. Mas falar de DNA não é coisa simples, é muito complexo, até mesmo para os cientistas.

O My Heritage tem um banco genético enorme e vai cruzando os dados armazenados. Já encontrei primos que jamais pensaria conhecer por causa deste teste. Hoje tenho amizade com uma prima de quarto ou quinto grau, brasileira que mora nos Estados Unidos. E estou conhecendo muita gente interessante. A última foi uma prima da Bahia, compartilhamos sobrenome e genética, além do gosto pelas Letras. Na minha lista há cerca de 1300 primos distantes. Minha mãe e irmãos também fizeram o teste, o que elucidou (um pouco) o que herdei de qual progenitor.

A minha pele é branca, alvíssima…mas vejam: tenho sangue nigeriano, norte- africano (região do Marrocos, Líbia, Egito, Argélia, Tunísia e o Saara, eminentemente muçulmana) e indígena americano. Acho que uma boa tentativa de acabar com o racismo no mundo seria que todo bebê deixasse a maternidade com um teste genético. Meu marido, que também fez o teste, além de ibérico, irlandês e italiano, também é judeu asquenaze (asquenazita, vi que no Brasil também chamam assim, uma gente muito inteligente, a maioria dos vencedores de prêmios Nobel tem essa etnia. Meu marido é inteligente mesmo, casou comigo…hahaha!). Ou seja, ele casou- se com uma pessoa com sangue mouro, “inimigos” (veja o eterno conflito entre muçulmanos e judeus em Jerusalém/Faixa de Gaza/Israel).

Ninguém é puro, homens e mulheres misturaram- se durante milênios. Ter consciência de quem me precedeu enriqueceu- me muito. Comecei a me interessar e a pesquisar sobre esses países, meu mundo expandiu- se.

A minha composição genética/geográfica ancestral faz muito sentido. Eu já montei várias histórias e suposições. E consigo imaginar como deveria ser cada dessas figuras que ficaram marcadas nas minhas células. O corpo conta histórias.

Hoje em dia há correntes que pensam que o DNA não é imutável, que nosso modo de vida, de pensar, de agir e de sentir pode modificá- lo. Veja que livro interessante (esse não tem muito a ver com etnias, é mais sobre saúde e estilo de vida):

Durante muito tempo acreditamos que os genes determinassem nosso destino biológico e que fossem imutáveis, mas recentes descobertas no campo da genética mostram que eles são dinâmicos e podem ser influenciados por diversos fatores. Em Supergenes, a dupla de médicos Deepak Chopra e Rudolph Tanzi discorre sobre como a ciência atual sustenta que nossos genes reagem a tudo o que fazemos, dizemos e pensamos. Oferecendo um cardápio de escolhas para 6 esferas da vida – dieta, estresse, atividade física, meditação, sono e emoções –, em três níveis de dificuldade, os autores também mostram, de forma muito prática, o que devemos fazer no dia a dia para ativar o melhor do nosso código genético pela vida afora.

Eu quis compartilhar com vocês a emoção dessas descobertas. Se você fizer o teste, me conta o resultado depois. Até a próxima!

O encantador de pássaros

A observação de pássaros remonta à Idade da Pedra. Os homens pré- históricos desenhavam aves nas cavernas demonstrando assim, o seu interesse e fascínio por esses animais deixando gravados seus dados empíricos. Aristóteles, 350 a.C., possivelmente, tenha sido o primeiro ornitólogo da humanidade. Os ornitólogos e os poetas, veja Manoel de Barros, encarregam- se de estudar o comportamento dos pássaros. Mas hoje, um homem é que foi observado.

Madri é uma cidade encantadora no outono. A estação começa em meados de setembro, mas é só em novembro que as folhas começam a cair formando um tapete amarelinho, amarelinho. E essa paisagem convida- me a dar longos passeios pelo Parque do Retiro, que fica no centro da cidade. O parque é um remanso de paz, é como cruzar para outra dimensão, esqueço dos barulhos da cidade.

Costumo ir de ônibus, a linha 146, e desço na Calle Alcalá. Frequento a biblioteca que fica dentro do Retiro. Tenho que cruzar metade do parque até chegar ao meu destino.

No caminho, encontrei um senhor carregando uma sacola de supermercado cheia de migalhas de pão. Ele andava rápido, ia jogando o pão e uma revoada de pássaros o seguia; vez por outra, parava e alguns pássaros comiam diretamente da palma de sua mão.

Pintassilgos, alvéolas- brancas e estorninhos, muito comuns na Europa, periquitos, pardais e pombas, esses todo mundo conhece no Brasil, todos sob a batuta do homem. Os pássaros dançavam, o homem e sua orquestra de pássaros. Era um tal de piu, piu, gru gru, crá crá, aquela algazarra.

Eu fui andando atrás, incrédula, tentando não fazer ruído para não espantar a orquestra. Os pássaros seguiam o homem, sem medo, pareciam íntimos, um diálogo muito fluido interespécies.  Os que não voavam, caminhavam atrás do homem, tal como o Flautista de Hamelin faz com os ratos, só que com finalidades bem diferentes. Tive a certeza que, enquanto aquele senhor viver, os pássaros têm em quem confiar.

O mundo é mágico sim, Rosa. Só que, perdoe- me um adendo: algumas pessoas ficam encantadas enquanto vivas também. Hoje eu conheci o Encantador de Pássaros e eu tenho a prova:

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Resenha: “Sobre a seleção natural”, de Charles Darwin

Sempre leia o original. Claro que você pode e deve ler ensaios, resenhas e estudos sobre, mas são opiniões, textos que já foram mastigados por outros. Você tem que mastigar também o texto original. A leitura influenciada pela opinião alheia pode nos direcionar a caminhos que nem sempre nos convêm. Por isso a importância da fonte primária, aquela obra que originou todas as outras, essas são as mais interessantes, porque é o astro literário ou gênio científico, como nesse caso, em sua própria voz.

E assim fala Charles Darwin em “Sobre a seleção natural”, em primeira pessoa, em uma linguagem surpreendentemente simples, qualquer leigo em Ciências pode entender. Não é um livro “difícil”, nem é só para estudantes (aliás, nenhum professor recomendou a leitura desse livro na minha época de estudante, uma pena!), ele é para qualquer pessoa interessada na humanidade e suas origens.

Sem querer julgar a fé ou crença alheia, a alegoria bíblica em Gênesis é uma representação literária da criação do homem, é fisicamente impossível (eu já sei que “para Deus nada é impossível”. Estamos falando de Física e Ciência, ok?). Os escritores da época tinham que explicar de uma forma que as pessoas entendessem, de acordo com seus interesses e limitado entendimento. O ruim é que muita gente acredita ainda hoje, literalmente. Enfim, a fé é livre. Eu não sei de muita coisa, só sei que não fui criada da costela de Adão.

Quem foi Charles Darwin

O cientista inglês Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12/02/1809- Downe,  19/04/1882) foi um revolucionário que abalou as crenças vitorianas, e que, ainda hoje, sofre ataques dos criacionistas religiosos por causa de suas teorias sobre a criação do homem e evolução das espécies.

Darwin começa o livro falando sobre a cadeia alimentar, os animais que matam para sobreviver, “a luta pela existência”. Ele explica o termo: “(…) inclui não só  a vida do indivíduo, mas o êxito ao deixar descendência”. A natureza está programada para alimentar- se sem destruir-se– quer dizer– até chegar no homem, o maior depredador da natureza. Ainda assim, a Natureza resiste (por quanto tempo, não sei…).

Esse é um livro que mexe com as emoções mais profundas, porque nós– eu, pelo menos– enxerguei o homem como num quadro: somos parte de um processo inexorável, uma mecânica perfeita. Fazemos parte de uma cadeia natural, mas vivemos sem pensar muito nisso, mas creio que seja bom pensar. Acredito que a aproximação com a nossa essência primordial, a forma como estamos inseridos na natureza, pode nos ajudar a parar de gastar energias inutilmente para centrá- las em outras mais importantes. Sofrer antecipadamente com medo da morte, por exemplo, é uma delas. A morte na natureza é mais que necessária, o universo não suportaria a progressão geométrica (chamada “doutrina de Malthus”) se as espécies, inclusive o homem, se reproduzissem sem uma ordem: início, meio e fim. Veja:

Inclusive o homem, que é lento em reproduzir- se, duplicou- se em vinte de cinco anos e, segundo essa progressão, em menos de mil anos sua progênie não teria, literalmente, lugar para ficar de pé. 

Linneo calculou que se uma planta anual produz só duas sementes– e não existe nenhuma planta que seja tão pouco produtiva–, e suas plantinhas produzem outras duas no ano seguinte, e assim sucessivamente, aos trinta anos haveria um milhão de plantas.  (p. 9-10)

Esses cálculos, essas progressões, fizeram com que eu calculasse os membros da minha própria família: só a partir dos meus bisavós maternos, eles “produziram” gente demais! Faça essa “brincadeira” e conte os membros da sua família a partir dos seus bisavós e verá que mundo de gente!

Terminei a leitura encantada com o Mr. Darwin, que não só modificou a história da humanidade, como também foi um excelente escritor, fantástico comunicador, talvez isso o tenha ajudado a transmitir a importância das suas conclusões e ter- se feito ouvir. A linguagem a favor da Ciência. O autor toca a prosa poética para falar sobre a natureza. É um texto belíssimo!

Charles Darwin fala de algo que todos (alguns mais que outros) fazemos diariamente: lutar pela vida. Alguns ganham, outros perdem.

O livro resenhado é um extrato, um capítulo da obra maior de Darwin, “A origem das espécies”.

IMG_0622Darwin, Charles. Sobre la selección natural. Taurus- Santillana Ediciones Generales, España, 2012. Páginas: 157

Essa resenha eu tinha preparado para o Falando em Literatura, mas acabei publicando na Revista BrazilcomZ (março, com algumas adaptações), mas publico aqui também. Obra deliciosa, vale muito a pena!

The Big Bang Theory, a série do momento

Uma das minhas séries favoritas, “The Big Bang Theory” é o meu post de hoje no blog “PalomitaZ”, na Revista Brasil com Z. Espero você lá (clique aqui).

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