Tesouros da “British Library” (vídeo).

A Biblioteca Britânica é uma verdadeira joia da humanidade, ela é a guardiã de tesouros de valor incalculável. Nela há manuscritos de todas as épocas, de todos os povos, de todas as disciplinas. Eu estive passeando na biblioteca, sofri Síndrome de Stendhal, chorei na frente de originais de escritores, que jamais pensei que iria ter a oportunidade de ver. Você que é apaixonado por literatura como eu, vai entender.

Nem dá pra citar todos, impossível, mas digo que vi a letra do próprio punho de vários escritores e gênios das artes, literatura, música,  como Dostoievski, Proust, Tolstoi, George Orwell, Freud, Leonardo da Vinci, Mozart, Stefan Zweig, etc…

shakesEdição de “Orlando Furioso”, de Shakespeare, de 1591. (British Library)

Se você não pode, por enquanto, conhecer em pessoa essa biblioteca incrível, pode consultar vários textos no site, clica aqui.

Não gravei muito, porque como disse, estava extasiada, fora que não permitem gravar dentro da sala dos tesouros. Mas veja o videozinho aqui, clica e inscreva- se no canal! 🙂

PDF grátis: “O ente e a essência”, de São Tomás de Aquino

O opúsculo* “O ente e a essência” (PDF GRÁTIS AQUI), provavelmente escrito entre 1252 e 1256, é como se fosse um panfleto, só tem 48 páginas.  E como o próprio nome diz, a obra trata da essência das coisas, a metafísica. Incrível poder ler o que pensava esse senhor há quase 800 anos e ver que tentava racionalizar o misticismo.

A natureza da espécie é indeterminada em relação ao que é o indivíduo, tal como a natureza do género, em relação à espécie. (T.A.)

Tomás de Aquino nasceu na Itália em 1225, faleceu aos 49 anos e foi canonizado 50 anos após a sua morte. Era de família nobre, nasceu num castelo. Nessa época e nesse tipo de família era normal mandar os filhos servirem à Igreja. Possivelmente, Tomás não devia ter vocação para a guerra e nem as conquistas.

Significar a essência como um todo e como uma parte. (T.A.)tomas-de-aquino

                                                      Possível imagem de Tomás de Aquino.

O livrinho é muito explicativo e didático. Nota- se que o autor era um frade professor. Ele explica tudo muito bem, como os termos do título “ente” e “ser”. Tomás foi o maior representante da escolástica, a filosofia ensinada nas escolas medievais, que comparava a fé, a religião católica, a Bíblia, com a filosofia; e quando era a filosofia de Aristóteles, tinha um nome engraçado: peripatética. Tomás ensinava a filosofia peripatética. Nessa obra ele também fala de Sócrates.

Deus possui todas as perfeições no seu próprio ser.

Os acidentes individuais derivados da matéria  diferenciamos indivíduos de uma mesma espécie.

Fica aqui essa mini- resenha, pequena, senão eu conto o livro todo. Leiam, nem que for por curiosidade.


*o·pús·cu·lo

1. Livro pequeno sobre artes, ciência, etc. (Priberam)

 

Bibliotecas incendiadas: os livros são um perigo?

“Biblioclasta” é o termo utilizado para designar quem não respeita e destrói livros.

Na história mundial, há muitos casos de incêndios criminosos em bibliotecas. Esses ataques visam o terror e a destruição, normalmente, de um patrimônio de valor incalculável. São motivados por ódio político, religioso, ideológico, fanatismo, terrorismo, loucura. Queimar livros, deletar a escrita de um povo, é apagar da memória presente e futura  boa parte de sua história e testemunho. Há inúmeros relatos de bibliotecas queimadas na Antiguidade. Era uma forma de vingança, e continua até hoje. As bibliotecas são alvo certo nos conflitos bélicos.

Em abril de 2003, houve um incêndio criminoso à Biblioteca Nacional de Bagdá e à Escola de Estudos Islâmicos no Iraque. Na biblioteca, havia tesouros que jamais poderão ser recuperados. O atentado foi cometido por “saqueadores”. “O Palácio da Sabedoria” havia sido construído em 1961 e abrigava o Centro Nacional de Arquivos.

Reconstruída a biblioteca, hoje o acervo está digitalizado para evitar futuras perdas, já que as ameaças terroristas continuam. Foto do incêndio:

bagda

Também foi incendiada em 2003, a biblioteca da Universidade de Basora no Iraque:

incendio-iraque

Os livros educam, doutrinam, expandem, mexem com o psicológico das pessoas. Leitura é poder. Livro é uma arma. Ainda tem alguma dúvida do perigo que são os livros?

Voltando…primeiro post de 2017!

Olá, amigos e amigas, voltei! Já estava com saudade de vocês e do blog. Vou começar a contar sobre os últimos livros que li e de algumas outras novidades. Já é 13 de fevereiro, vamos lá!

A resenha de hoje é sobre um livro lido em dezembro, na altura do Natal: Histórias da Terra e do Mar, da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 06/12/1919- Lisboa, 02/06/2004), seu avô paterno era dinamarquês, e pelo lado português, de família aristocrata. Seu tio era o dono da fazenda, que hoje é o Jardim Botânico do Porto. Considerada uma das maiores poetisas portuguesas do século XX, ela também escreveu contos, ensaios, peças para teatro e  era tradutora. Foi professora universitária do curso de Letras e mãe de cinco filhos.

Sophia de Mello Breyner Andresen  01.jpgSophia de Mello

Vamos ao livro, uma obra composta de cinco contos:

História da Gata Borralheira

A história dividida em dois capítulos, realmente tem atmosfera de conto de fadas, mas não só o da Gata Borralheira como sugere o título, inclui também a história da Cinderela e da Branca de Neve, mas com um final infeliz. Será que  da modernidade pra cá (o livro foi publicado em 1984, mas o conto vem com a data de 1965) não comporta mais histórias de grandes amores com finais felizes?

Lúcia, 18 anos, moça pobre, foi convidada para um baile. Foi mal vestida e com um sapato velho e ralado. Ficou num canto, sozinha, nenhum rapaz a tirou para dançar. Se você nunca passou por isso, imagina a cena e a sensação. Depois foi morar com a tia rica casou com um homem rico. Conheceu o mundo oposto ao seu (p.26):

O mundo tem um preço, e Lúcia pagou o preço do mundo.

Lúcia reencontrou- se com o único homem que dançou no baile há vinte anos. O homem reapareceu de forma mágica. Ele era o outro caminho.

Um conto muito interessante que nos faz refletir sobre as escolhas que fazemos. E se a gente escolhesse o que não escolheu? Como teria sido?

O silêncio

Era complicado.

Assim começa a história de Joana, uma dona-de-casa muito solitária, que leva uma vida ordenada e silenciosa. A palavra “silêncio” é repetida muitas vezes, incomodando, como parece incomodar a vida de Joana; ao mesmo tempo,  o silêncio é o seu único interlocutor. Tanto silêncio é interrompido pelos gritos de uma mulher, uma briga de casal, que a protagonista espiava da janela.

A casa do mar

Esse conto é uma descrição minuciosa de uma casa do mar, que foi construída em cima de uma duna, afastada das demais casas. Particularmente, por não gostar de textos descritivos, foi o que menos gostei. Não me disse muito, mas isso não significa que ele seja ruim- ao contrário, é muito bem escrito. A inspiração foi a sua casa de Lisboa.

Saga

Esse conto remete às origens dinamarquesas da autora e demorou quase uma década para ser escrito (1972- 1981). É o texto mais longo do livro e conta a história, a “saga” do menino Hans, de uma família dinamarquesa que mora no interior da ilha de Vig ( realmente existe,  pertence à Dinamarca). O pai, Sören, ex-marinheiro, alto, magro, austero e silencioso. Ele impunha o mesmo silêncio aos demais (p. 57):

(…) sabia que é no silêncio que se escuta o tumulto, é no silêncio que o desafio se concentra.

Os dois irmão de Sören morreram em um naufrágio, por isso vendeu o barco e comprou as terras no interior da ilha. No entanto, permanece inquieto e taciturno.  Uma vez marinheiro, sempre marinheiro. É o destino da família.

O filho Hans quer ser também marinheiro, “capitão de navio”. O pai já viu gente demais sepultada no mar, quer mandar o filho estudar em Copenhague. O rapazinho fugiu em um navio inglês que passou pela ilha.

O bisavô da autora veio de barco da Dinamarca até o Porto. O personagem Hans está inspirado nele.

Sophia conseguiu, em um texto curto, narrar as peripécias, aventuras e desventuras de uma vida inteira. Dos 14 anos do protagonista até a sua morte, já idoso. Destaco um trecho que achei genial, pois condensa tanta verdade, mas de difícil percepção e síntese, ainda mais assim tão bem explicada:

E Hans compreendeu, como todas as vidas, a sua vida não seria mais a sua própria, a que nele estava impaciente e latente, mas um misto de encontro e desencontro, de desejo cumprido e desejo fracassado, embora, em rigor, tudo fosse possível. E compreendeu que as suas grandes vitórias seriam as que não tinha desejado, e que, por isso, nem seriam vitórias.

Eu prefiro não explicar o trecho acima, só sente….

Vila d’Arcos

Uma prosa poética deliciosa! Um texto bem curtinho, o mais curto do livro. Sophia pega na nossa mão e nos leva para passear pela “Vila d’Arcos”. Sophia tinha um bom gosto e sensibilidade impressionantes para escrever. Esse texto carrega uma lição de vida.

sophia

Mello Breyner Andresen, Sophia. Histórias da Terra e do Mar, Porto Editora, Porto, 2015. Páginas: 95

Gostei bastante deste livro, recomendo, anota na lista!

Daqui a pouco eu volto para contar uma novidade. Fique atento!

 

 

 

Falaremos de Lima Barreto hoje em Madri

O grande escritor carioca Lima Barreto é o tema da nossa oficina literária de hoje na Casa do Brasil, de 19-21h. As oficinas “Falando em Literatura” fazem parte do projeto do Itamaraty de difusão da língua e cultura brasileira no exterior.

Os contos de Lima estão no foco. Como ele contava as suas histórias, seus temas e cenários preferidos, além da sua biografia, que é muito triste.

Se você está em Madri e quer participar desta oficina ou das duas seguintes (não é necessária a leitura prévia da obra e nem ser da área de Letras) basta mandar um e-mail para: falandoemliteratura@gmail.com. Você vai ganhar um certificado, participar de sorteios de livros, conhecer gente nova, aprender mais sobre autores brasileiros, expressar- se no nosso idioma e passar duas horas divertidas.

Veja o cronograma:

oficina-madriAs oficinas são leves e lúdicas, não tenha medo! Uma pessoa me escreveu dizendo que tinha medo de ir, pois achava que não conseguiria acompanhar. Prometo que isso não vai acontecer, ao contrário. Quem disse que a boa literatura é chata ou pesada?!

Nos vemos hoje na Casa do Brasil!

Veja como foi a “III Oficina Falando em Literatura” em Madri

No último dia 16 de novembro, aconteceu a oficina literária sobre a obra do escritor baiano Antônio Torres. A turma foi animada e participativa. Contei aos participantes sobre a maravilhosa trilogia do sertão: “Essa terra”, “O cachorro e o lobo” e “Pelo fundo da agulha”, além da bibliografia urbana- histórica- carioca, do autor imortal da ABL, passamos também pela literatura infanto- juvenil.

A intenção dessas oficinas, além de estimular a leitura de grandes obras e autores, é também a de despertar ideias, a criatividade. Que encontrem seus próprios caminhos para desenvolver a escritura artística.

Veja algumas fotos do nosso último encontro:

img_2286“Lola” (Maria Dolores) e Deborah.

img_2293Márcio e Simone.

img_2300Márcio em “ação”.

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Mãe e filha.  Dona Suely e Renata. Houve depoimentos que nos deixaram emocionados.

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Dona Suely, recém chegada de Recife.

img_2313Escritura criativa.

img_2289Simone.

img_2305Renata.

img_2303Deborah.

img_2302Lola.

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15073307_862185890550436_8351533164920597600_n Saiu uma nota sobre as oficinas na coluna de Ancelmo Gois do jornal “O Globo” (16/11):

ancelmo-gois

img_2308A turma na Casa do Brasil no último dia 16 de novembro de 2016.

E amanhã tem Nélida Piñón! Se você está em Madri e quer participar , escreva para o e-mail: falandoemliteratura@gmail.com. As oficinas são patrocinadas pelo Itamaraty com o apoio do Consulado do Brasil em Madri e são gratuitas para os participantes.

Foi você quem disse, Drummond?! Quiz!

O que você sabe sobre um dos maiores escritores modernistas do Brasil? O mineiro Carlos Drummond de Andrade nos deixou uma obra preciosa e que vale a pena ser lida e relida. Preparei um quiz rápido, sete perguntas para você testar os seus conhecimentos sobre o autor. Vamos brincar?!

Segue o link. clica aqui.

estátua ItabiraEstátua de Drummond na sua cidade natal, Itabira- Minas Gerais

No próximo post irei explicar cada uma das questões.