O Falando em literatura vai mudar!

Porque mudanças são necessárias…livros sim, mas também imigração, opinião, lifestyle, viagens, e o que nos ocorrer.

Feliz 2020!

Crítica: O fundo do poço ou a mediocridade do mercado editorial

Por Gerson de Almeida, colaborador

Já queria ter escrito este comentário há mais tempo, hoje ele pode soar deslocado de sua cronologia, mas, se analisarmos o presente e pensarmos no futuro prometido, estará calcado na trilha fulcrada pelos passos que damos agora. Vou escapar do tom amedrontador e escatológico, porém não tem como fugir à face real do drama.

Tinha visto uma reportagem sobre a Bienal do Livro de São Paulo deste ano, que terminou no inicio do mês, a qual sempre quis comparecer pelos mais variados motivos, além da paixão por livros e literatura, e caí num desânimo estarrecedor. Na mesa principal falaria sobre literatura a youtuber Tatiana Feltrin e, em outras, Kéfera e Jout Jout. De início achei que fosse piada, ainda que estas duas últimas falassem ao público adolescente, ou seja: bando de desmiolados – não excluo o fato de que fui adolescente, mas na minha época eu idolatrava Cérebro, o rato mais inteligente do mundo.

Dirão que sou preconceituoso, fico com a resposta-pergunta de mestre Badu: quem não é (e creia: não há ninguém mais preconceituoso do que o não-preconceituoso)? O negócio é reconhecer e impor-se limites, no entanto até as cotias em fuga têm seu instante de perdigueiro, não dá pra se calar o tempo todo. Como, numa bienal que tem lugar na maior capital do país e noticiada no mundo inteiro, tendo nomes como Lygia Fagundes Telles, indicada ao Nobel, que tem Rubem Fonseca ativo, Ignácio de Loyola Brandão em plena atividade, Tatiana Feltrin venha falar de/sobre literatura e, além de ter crédito, o que já é uma catástrofe, venha se impor com autoridade no assunto (o que nos mostra o fundo do poço)? Dirão também que ela fala sobre os clássicos numa linguagem acessível, tá bem. E quando o ouvinte chegar à leitura de fato, não vai se defrontar com o trunco do clássico? Não se deve medir sua dificuldade com a régua alheia, o resultado é…?

Digamos que na leitura de um clássico ela diga que tal história caberia em 150 páginas e que as 600 do original são desperdício, essa afirmação se calca como verdadeira? Deixar que simples atores do Youtube fale da produção artística de um país, e de outros num palco à vista de tantas figuras de peso, deveria ser visto com assombro – e não assistido como progresso das artes e das letras em linguagem rastaquera. É como se em plena final da Copa, tendo Pelé a plenos pulmões, confiássemos os canarinhos a um palhaço cego com pernas de pau.

Vejo vídeos e entrevistas de literatos e teóricos da literatura, estes, embora todo teórico brasileiro tenha queda pela comicidade de Marx (e não é o Groucho), são bem mais interessantes. Os vídeos da Feltrin não chegam nem a serem forçados, são comentários de alguém que se impressiona, ou não, com determinada leitura, e nisso não vai nada de novo ou inusitado. Acontece a qualquer um. Tem um vlogger que é mil e uma vezes mais interessante do que ela, mas não tem apelo, não tem aquela coisa “fofa”, não inspira comentários bonitinhos. Este sim, apesar dos lugares-comuns aos quais ninguém está escapo, faz análises mais contundentes, com profundidade, atado à obra e autor: O Lugar do Livro. Vi alguns vídeos dele e o cara aparece pela obrigação de dar a cara à tapa. Feltrin faz meme o tempo todo e quando se mete a comentar o nível dos originais para a tradução em português é um desastre. Como professora, de sabe-Deus-o-quê, e tradutora não deveria esquecer a máxima: traduttore, traditore.

Quanto a Jout Jout e Kéfera, que dizer? Eis o motivo destas linhas. Come on!

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No único dia em que fui à Feira de Jaraguá vi, na maioria dos estandes, livros destas duas bestas anunciantes do Apocalipse, na estante principal! Não foi o pior: livros lançados pela Cia das Letras. Que porra é essa?! E nesse exato momento tem algum escritor em algum canto sentado com meu grito abafado e sua obra bem-feita engavetada. Já estamos no fundo do poço, tem muita gente aqui e agora querem que bebamos a água. Uma gota para cada e mais da metade morrerá de sede.

Jout Jout é caso diagnosticado de esquisitice+traumas+qualquercoisa, e isso foge à minha pobre alçada. E o adolescente que lê Kéfera, vai produzir o quê, mental e cotidianamente? A resposta tem cinco letras, isso mesmo: merda.

Assim teóricos e literatos de todas as castas e cores, leitores de todos os nichos, chiqueiros, classes, redutos e botequins, escritores consagrados e engavetados – uni-vos! Toda vossa existência depende do passo que dás agora.

O CINEMA E A VIDA: IMIGRAÇÃO, RACISMO, FANTASIA E A REALIDADE

Só um trechinho do post que sai todas as sextas- feiras no meu outro blog sobre cinema:

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Samba, um filme corajoso de Eric Toledano e Olivier Natake, que mostra a imigração do lado de lá, do lado que muita gente prefere ignorar, porque não interessa ou incomoda. Corajoso porque humaniza aquele sujeito que está escondido, marginalizado, coloca no palanque aquele que nunca tem voz nessa França (metade conservadora), que prefere fechar as fronteiras e expulsar essa gente “colorida”, que ocupa seus espaços e que eles não se interessam em conhecer. O racismo real, presente e verdadeiro que existe, não só na França, como na Espanha e toda a Europa. Os guetos formam- se por isso, porque os governos permitem a segregação racial e porque os imigrantes estão sozinhos, precisam de companhia. No exterior, a nossa família são os amigos que encontramos e espero que no seu grupo de amigos exista gente de todas as raças e nacionalidades.

Leia o post na íntegra: Palomitaz, na Revista Brazil com Z.

A Revista Brazil com Z

A revista Brazil com Z (fundada pela jovem empreendedora brasileira Renata Barbalho, que também tem uma empresa de legalização de documentos em Madrid, “Espanha fácil, “) veio esse mês com uma capa que recorda à Charlie Hebdo, do cartunista Zappa, faz alusão ao terrorismo no mundo e no próprio Brasil com tanta violência.

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Renata destaca no editorial a reportagem sobre o retorno dos brasileiros à Espanha. Recomeçou o fluxo migratório, já que a Espanha começou a recuperar a sua economia, enquanto no Brasil houve retrocesso e estagnação.

A revista é generalista, trata de política, sociedade, moda, arte e cultura, entrevistas com personalidades e com brasileiros residentes na Espanha. É bastante informativa e nos serve de guia, conhecemos os comércios e serviços oferecidos por brasileiros na Espanha.

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Não esqueça de ler o meu blog Palomitaz lá na Brazil com Z, tem post novo hoje sobre a minha série favorita “The Big Bang Theory!