Resenha: Antologia do Negro Brasileiro, de Edison Carneiro

Este é um dos livros mais importantes da minha biblioteca. E um dos mais comoventes, desperta emoções boas e ruins. “A antologia do negro brasileiro”, organizado pelo escritor baiano Edison Carneiro (Salvador, 12/08/1912- Rio de Janeiro, 02/12/1972, ver biografia aqui), figura muito importante do ativismo afro- brasileiro, reuniu nesta obra textos históricos de figuras que foram fundamentais para a formação da identidade brasileira. Há textos de Edison também.

A obra foi dividida em oito partes. Há prosa e poesia: poemas, recortes de jornais, cartas, artigos de opinião, textos sobre folclore, religiões africanas, textos dos mais variados, uma riqueza.

Veja essa carta do escritor sergipano Tobias Barreto ao amigo Sylvio Romero, triste:

in Antologia do negro brasileiro, p.

Abaixo, a forma desumana, bruta e chocante como os negros e índios eram tratados, como se fossem coisas. Pessoal, o karma do Brasil é pesado, será por isto (também) que não avança? Se a história da “lei do retorno” for certa…xiiiii….algo que começou tão mal pode dar certo? Ainda hoje há gente que não se emenda, que se acha superior e nem tem vergonha disto. A ignorância e o absurdo prosperam, não dão trégua, mais do que nunca. Quantas fortunas, muitas ainda hoje no Brasil, usufruem de dinheiro derivado disto:

A obra traz vários textos de como o negro era maltratado no Brasil colonial; também sobre como organizaram- se e começaram a mostrar resistência. Há um texto interessante de Rui Barbosa, de quando ele foi ministro do governo Deodoro da Fonseca já no Brasil- República . O “Águia de Haia” mandou recolher para destruir todos os arquivos sobre a escravatura, pois eram uma “vergonha para a pátria”, o que foi uma pena: as provas das maldades foram queimadas, hoje poderiam ser objetos para processos de indenização. Eles pensaram em tudo. Sobre Rui Barbosa deixarei aqui umas reticências. Preciso pesquisar algumas coisas, depois voltarei com os resultados.

O Brasil, quem sabe, poderia ser outro se tivessem contado a verdade nos livros de história. Os governos de direita, a grande maioria (o PT foi o único que indenizou as vítimas da ditadura), nunca assumiram os seus crimes, erros e mazelas, só esconderam debaixo do tapete (ou fazendo tudo virar cinza), porque comprometeriam a si mesmos. Os descendentes de escravos, muitos, ainda estão em favelas e são solenemente ignorados, excluídos, exceto quando são alvos úteis para o governo “mostrar serviço”, o famigerado populismo. Precisamos falar sobre ele. Fuzilam inocentes, como a menina de oito anos , Ághata Félix, atingida dentro de um carro, parte de uma ação “anti- crime” proposto pelo Governo Federal. Haverá punições? Esperem sentados. O Brasil tem este outro problema: a impunidade. E mais este: a punição é dirigida para quem os atrapalha.

No Brasil, “as coisas são assim e pronto”. Não, amigos e amigas, não devemos aceitar as desgraças como sem solução. Quem pensa não deve aceitar calado, deve estar atento e se mobilizar. Eu conheço pessoas que estão reprimidas, acuadas, porque têm medo de perder seus trabalhos. Isso é a prova de que o Brasil vive em um estado de repressão. As pessoas temem falar.

Há apenas 131 anos foi abolida legalmente a escravidão, mas isto não significa que ela tenha acabado na prática , ela continuou. E não pensem que aboliram a escravidão porque eram bonzinhos. Foi pressão da Inglaterra, que ameaçou cortar acordos comerciais, lá já tinham abolido a escravidão, também o enfraquecimento da monarquia no Brasil e as diversas revoltas no país.

Centro e trinta anos não é nada, são só três gerações. Muita gente no Brasil tem ou teve avós e bisavós escravos. Muita gente ainda pensa que é o dono da senzala e sente ódio por ter perdido poder, sente ódio por ter que pagar direitos trabalhistas, sente ódio de ter que dividir os mesmos espaços com pessoas descendentes de gente que antes dormiam em senzalas, que estavam sempre disponíveis de graça para os serviços domésticos, na lavoura, na construção, para tudo, e também para o sexo. Essa gente “boa” nunca esteve do lado dos trabalhadores, da massa, do povo, porque nunca pertenceram a esses coletivos, entendem a vida de uma postura superior, elitista, classista, racista (bem hitlerianos), só entendem o valor do dinheiro, não importa o preço.

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, que não ilumina o pensamento, este ainda está nas trevas, tem uma mentalidade/comportamento de província. E é um povo extremamente materialista, o sucesso e êxito na vida estão estreitamente ligados ao material. O povo é massa fácil de manobra, faz e pensa o que eles querem. Eles manipulam desde sempre o povo, “os vermelhos são um perigo”, “o Brasil vai virar Venezuela”. As fakes news são coisa antiga. E a violência urbana é uma consequência de muitos anos de descaso e desleixo com os mais vulneráveis. A culpa é de quem?

Se eu pudesse distribuir um exemplar deste livro em cada casa brasileira, eu o faria. Este é o verdadeiro Brasil que tentam mascarar, “todo mundo é igual e tem as mesmas oportunidades”. Mentira. Uma obra para se ter na cabeceira sempre. “Resenha” para dar algum nome, porque esse post foi mais uma conclusão/reflexão do quanto o nosso país ainda está atrasado nos quesitos de direitos humanos e igualdade. A minha leitura deste livro não está finalizada, ele é infinito.

O brasileiro não é igual, porque eles não querem que seja. A força de mudança tem que vir de baixo para cima. O negro, metade da população brasileira, não sabe a força que tem.

Obra recomendadíssima:

Carneiro, Edison. Antologia do negro brasileiro, Agir, 2005. Páginas 501.

Fiz um exame de DNA, veja o resultado

Eu sou fascinada por assuntos ancestrais. E para descobrir mais sobre os meus, comecei a fazer a minha árvore genealógica no ano passado e depois completei com um exame genético.

Pelo lado paterno (português), consegui avançar bastante, já que Portugal soube conservar muito bem os seus registros paroquiais e teve a deferência de disponibilizar, gratuitamente, os arquivos digitalizados na internet. Consegui chegar até a minha sétima geração (e seguirei). Tais arquivos me levaram a conhecer a minha cidade raíz em Portugal e tive uma grande surpresa ao visitá- la, mas esta história, possivelmente, será contada num livro.

Se você desconfia ou tem certeza de que tem ancestrais portugueses, pode procurar os registros no Tombo.

Já a minha busca pelas raizes brasileiras está sendo infrutífera. No cartório da cidade de Ipirá (Bahia), onde nasceram minha mãe, avós e bisavós, não acharam nenhuma certidão destes últimos, o que impede de avançar. Dos trisavós eu sei os nomes de uma das ramas, nenhum dado mais.

Agora há uma esperança: os mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) estão digitalizando os arquivos paroquiais do Brasil. Registros de nascimento, casamento, batizado e óbito. Estou olhando os de Feira de Santana e Cachoeira, pois no final do século XIX, a cidade de Ipirá (então chamada de “Camisão”) pertencia a estas outras localidades.

Faltam páginas nos livros, há páginas ilegíveis, fora a letra dos sacristãos, que são verdadeiros hieróglifos, parece que escreviam para ninguém entender. Está sendo um trabalho árduo e é preciso ter olho bom e muita paciência.

Se você tem curiosidade em descobrir as suas raízes, algum imigrante europeu que foi para o Brasil ou os registros já citados, vá lá no Family Search. Basta registrar- se, é tudo gratuito. Eu encontrei os registros de imigração do meu pai, avó e tios que imigraram de Portugal ao Brasil nos anos sessenta. Encontrei documentos com fotos deles que não conhecia. E tem uma parte útil disso também, o de resgatar nacionalidades estrangeiras, já que tem muita gente com vontade de morar em países diferentes.

“Quem sou eu?” Quem já não se fez esta pergunta? Pelo menos uma resposta genética é possível.

Eu fiz um teste no “My Heritage”, que é uma empresa de um cientista de Israel, Gilad Japhet, mas o laboratório fica em Houston, nos Estados Unidos. O processo é bem simples. Você faz um registro no site ou aplicativo, pede um kit (agora custa 59 euros) e não demorará a chegar. No kit há duas hastes com algodão compridas, que você irá passar no interior da boca por dois minutos de cada lado e depois colocar dentro de uns tubinhos com um líquido que conservará o seu material genético. Coloca- se num envelope já timbrado e o envio pelo Correio é por nossa conta. Podemos acompanhar no aplicativo o passo- a- passo do processo de extração do DNA. O resultado demora um mês. Veja qual é a minha herança étnica, eu achei incrível, três continentes!

Claro ficou que os meus predecessores também tinham alma imigrante como eu! Esse teste pode mostrar vestígios antigos, de mais de 500 anos. Quanto menos DNA, mais provável que seja antigo. Herdamos 50% de cada um dos pais, 25% dos avós e irmãos, e de bisavós cerca de 12% do nosso material genético. Mas falar de DNA não é coisa simples, é muito complexo, até mesmo para os cientistas.

O My Heritage tem um banco genético enorme e vai cruzando os dados armazenados. Já encontrei primos que jamais pensaria conhecer por causa deste teste. Hoje tenho amizade com uma prima de quarto ou quinto grau, brasileira que mora nos Estados Unidos. E estou conhecendo muita gente interessante. A última foi uma prima da Bahia, compartilhamos sobrenome e genética, além do gosto pelas Letras. Na minha lista há cerca de 1300 primos distantes. Minha mãe e irmãos também fizeram o teste, o que elucidou (um pouco) o que herdei de qual progenitor.

A minha pele é branca, alvíssima…mas vejam: tenho sangue nigeriano, norte- africano (região do Marrocos, Líbia, Egito, Argélia, Tunísia e o Saara, eminentemente muçulmana) e indígena americano. Acho que uma boa tentativa de acabar com o racismo no mundo seria que todo bebê deixasse a maternidade com um teste genético. Meu marido, que também fez o teste, além de ibérico, irlandês e italiano, também é judeu asquenaze (asquenazita, vi que no Brasil também chamam assim, uma gente muito inteligente, a maioria dos vencedores de prêmios Nobel tem essa etnia. Meu marido é inteligente mesmo, casou comigo…hahaha!). Ou seja, ele casou- se com uma pessoa com sangue mouro, “inimigos” (veja o eterno conflito entre muçulmanos e judeus em Jerusalém/Faixa de Gaza/Israel).

Ninguém é puro, homens e mulheres misturaram- se durante milênios. Ter consciência de quem me precedeu enriqueceu- me muito. Comecei a me interessar e a pesquisar sobre esses países, meu mundo expandiu- se.

A minha composição genética/geográfica ancestral faz muito sentido. Eu já montei várias histórias e suposições. E consigo imaginar como deveria ser cada dessas figuras que ficaram marcadas nas minhas células. O corpo conta histórias.

Hoje em dia há correntes que pensam que o DNA não é imutável, que nosso modo de vida, de pensar, de agir e de sentir pode modificá- lo. Veja que livro interessante (esse não tem muito a ver com etnias, é mais sobre saúde e estilo de vida):

Durante muito tempo acreditamos que os genes determinassem nosso destino biológico e que fossem imutáveis, mas recentes descobertas no campo da genética mostram que eles são dinâmicos e podem ser influenciados por diversos fatores. Em Supergenes, a dupla de médicos Deepak Chopra e Rudolph Tanzi discorre sobre como a ciência atual sustenta que nossos genes reagem a tudo o que fazemos, dizemos e pensamos. Oferecendo um cardápio de escolhas para 6 esferas da vida – dieta, estresse, atividade física, meditação, sono e emoções –, em três níveis de dificuldade, os autores também mostram, de forma muito prática, o que devemos fazer no dia a dia para ativar o melhor do nosso código genético pela vida afora.

Eu quis compartilhar com vocês a emoção dessas descobertas. Se você fizer o teste, me conta o resultado depois. Até a próxima!

Censura de livros no Brasil? Jamais!

Eu não aceito a censura de livros de qualquer tipo. E nem você deve aceitar, seja do partido ou religião que for. Os governantes ocasionais passam, a literatura não.

Imagina se aparecesse alguém e te proíbisse de ler a Bíblia…imaginou? Parece absurdo? Mas não é, isto já aconteceu e foi a própria igreja católica que proibiu em 1229. Esta mesma igreja que queimava pessoas em fogueiras, porque acreditavam em coisas diferentes que eles.

Literatura é uma expressão artística e também é o retrato do pensamento do nosso tempo e de outros. Não importa se a literatura é boa ou não, se acrescenta ou não, se fere nossas convicções ou não, a arte literária está acima disso tudo. O direito à expressão é um direito constitucional, que reporto abaixo, Artigo 5º:

 IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Para quem não sabe, a Constituição é a lei maior de um país, está acima de todas as outras. Ela existe justamente para que correntes passageiras, tiranos de todas as espécies, não queiram agir com seu livre- arbítrio. Quando isto acontece é que surgem as ditaduras. A Constituição é para ser respeitada e aplicada para que haja união e igualdade entre todos. A nossa é um texto que foi escrito em 1988, depois da ditadura, para o bem comum.

A vítima da vez foi um quadrinho, um “comic” da Marvel, que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, mandou recolher da Bienal do Livro do Rio de Janeiro alegando “conteúdo sexual”, o que é não é correto, além de inconstitucional, arbitrário e um vexame! Saiu na imprensa do mundo todo. Inclusive, o Brasil anda sendo notícia por péssimos motivos, como os recentes incêndios no Amazonas, que já destruíram mais de 25 mil Km quadrados de mata, além da falta de educação e postura do presidente e a inimizade que anda cavando com dirigentes do mundo, prejudicando as relações internacionais, possíveis benefícios aos brasileiros e riscando a imagem do Brasil, colocando o nosso país em descrédito e sendo motivo de chacota mundial.

O problema não foi o beijo do casal da história de super- heróis (exato, só isto, um beijo), o problema é que foram dois homens. A homofobia.

Foi este o motivo da tentativa da retirada dos quadrinhos da Marvel

Os Vingadores fazem sucesso mundial, então, por que só no Brasil acontece este tipo de problema de intolerância? O fanatismo religioso, a podridão. Quanto mais podres, mais se escondem atrás das religiões. As pessoas podres (e pobres) de alma, de atitudes, fazem perversos julgamentos em relação ao outro, consideram- se superiores; isto, e mais a ignorância e a hipocrisia, resultam nesses seres odiosos. Vestem suas capas de bons moços e moças, ultra- moralistas, mas podres por dentro. Todos nós sabemos disto, inclusive eles mesmos.

Um beijo homossexual incomoda mais que crianças cheirando cola e dormindo na calçada, provoca mais repulsa que a corrupção, preocupa mais que o desemprego? Sim, os incomoda mais.

O homem já fez o diabo, e faz, em “nome de Deus”. Inclusive muitos desses templos são antros de absurdos. Procurem nas notícias, há casos infinitos, leia aqui, aqui e aqui. Para onde vai o dinheiro do dízimo? Não pague o dízimo, compre um livro e desempregue um inútil pastor; não doe esmola ao santo, alimente uma criança, um idoso. Não precisamos de religião. Se assim fosse, o Brasil seria um paraíso. Precisamos é de ética, de respeito ao próximo e honestidade. E que Deus nos ajude, porque as religiões são um fracasso absoluto. A liberdade religiosa também é constitucional. Só não devem ter a liberdade de mentir, roubar, assediar e fingirem- se de falsos messias…

As crianças precisam sim entender que existe gente que se apaixona por pessoas do mesmo sexo. Isto para elas é natural. A maldade e o preconceito são aprendidos, é cultural, criança não nasce preconceituosa. Conforme ela for crescendo com esta consciência de que existem muitas cores, o bullying acabaria nas escolas. E se um dia ela notar- se também homossexual, não haverá traumas nem dores desnecessárias sabendo que seus pais não a abominam. Porque o homossexualismo é inato, a pessoa nasce, ninguém torna- se gay de um dia para outro. A repressão não vai evitar nem solucionar, não existe “cura gay”, isto só faz aumentar a homofobia e o número de suicídios.

Nós estamos caminhando para o final de 2019 e é preciso fazer um esforço pessoal para se tornar uma pessoa melhor e derrubar a homofobia, o racismo, o machismo para um bem maior, o bem- estar social, já que estamos todos no mesmo barco, o Brasil é de todos e para todos.

Os homossexuais precisam sentir- se representados em livros, revistas, novelas, eles estão na sociedade e não devem esconder- se (embora o número de homicídios entre o coletivo indique o contrário, e com razão, por isto muitos ocultam- se).

Eu estou falando coisas tão óbvias, nao é? Mas o Brasil parece estar engatinhando no quesito Direitos Humanos.

O Youtuber Felipe Neto comprou todos os livros com temática LGBT da Bienal do Rio de Janeiro, antes da tentativa de apreensão comandada pelo prefeito da cidade. Os 14 mil exemplares foram encapados e distribuídos gratuitamente. Esta ação virou algo gigante, com repercussão mundial. A pressão fez com a ordem fosse derrubada:

“O desembargador Heleno Ribeiro Pereira Nunes, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), concedeu nesta sexta-feira, 6 uma liminar para impedir que a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Ordem Pública do município apreendam obras de temática LGBTQ. A decisão do desembargador atende a um pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros e impõe uma derrota à administração do prefeito Marcelo Crivella (PRB).

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta sexta-feira, 6, ao Estadão/Broadcast que não viu nada “de mais” no livro em quadrinhos Vingadores, a Cruzada das Crianças, criticado por Crivella por apresentar personagens homossexuais. Para o ministro, em pleno século 21 é preciso ter uma “visão tolerante” de mundo. ” (Exame)

Tais ações, tanto a dos juízes citados, quanto a de Felipe Neto, junto com todos os jornalistas, blogueiros, estudantes, youtubers, escritores, editores, livreiros, artistas, amantes dos livros e da democracia, nos mostrou que temos força e que não podemos ficar calados diante das injustiças. E não ficaremos. Aqui estaremos para gritar quando a injustiça sair da toca.

#censuranão